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Butantan se expande para exportar vacina antigripe

29 de julho 2019

Canteiros de obras, andaimes, caminhões e guindastes dividem espaço hoje no Instituto Butantan, junto à Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo. A instituição pública centenária, referência nacional na produção de soros e vacinas, está em expansão. E se prepara, em meio a surtos como o de sarampo e a queda na cobertura vacinal da população,

para intensificara fabricação de imunizações e até exportar vacina da gripe, um de seus carros-chefe. A planta que hoje produza vacina influenza trivalente sazonal está em obras de ampliação e adequação às exigências da Organização Mundial da Saúde( OMS) paras e lançar ao mercado internacional. A autorização é esperada para outubro deste ano. Coma capacidade aumentada, além das 65 milhões de doses contra a gripe que o Butantan já produziu neste ano como único fornecedor para o Ministério da Saúde, o instituto poderá oferecer pelo menos outras 60 milhões de doses para o Hemisfério Norte já no ano que vem.

— Não podemos ficar na dependência exclusiva do dinheiro público — diz o diretor Dimas Tadeu Covas, à frente do instituto desde 2017. — Triplicamos a capacidade de produção da fábrica da gripe, e, no ano passado, já atendíamos integralmente o ministério. A partir deste ano, geramos capacidade adicional. Hoje podemos ter dois períodos de produção no ano, e trabalhamos para que a partir de 2020 nossa vacina esteja disponível para outros países.

O Butantan aguarda ainda a liberação de um pedido inédito de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de US$ 450 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) para construir um novo centro de produção de imunizações. A planta, cujo financiamento está em fase avançada de apreciação pelo banco, será dedicada à fabricação de sete vacinas: HPV, hepatite A, hepatite B, difteria, tétano, coqueluche (pertússis) e coqueluche (pertússis) acelular. Em agosto, ele acompanhará o governador de São Paulo, João Doria, na comitiva de uma viagem à China. Projetos em saúde ganharam importância nas negociações do grupo previstas no outro lado do mundo. — Pensamos em complementação das cadeias de produção e, talvez, até em ajuda no projeto do centro de produção de vacinas. A China tem grande capacidade de investimento e pesquisa avançada —diz Covas. O instituto também está construindo uma fábrica para produzir seis anticorpos monoclonais, medicamentos de alto custo fornecidos pelo SUS e utilizados no tratamento de câncer e doenças autoimunes. Atrás dessa planta, mais uma se prepara para acelerar a produção. É a de vacina para dengue, um projeto que está em fase avançada de estudos clínicos, com cerca de 17 mil voluntários vacinados.

Autor: Elisa Martins
Referência: Estado de São Paulo