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CNP eleva tom com Caixa em negociação de seguros

07 de agosto 2019

Coluna do Broadcast

O recente episódio envolvendo o presidente Jair Bolsonaro e o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, não ocorreu em um bom momento para a Caixa Econômica Federal. Isso porque o banco, por meio da subsidiária Caixa Seguridade, negocia com a estatal francesa CNP Assurances um contrato de R$ 4,6 bilhões pelas operações de seguro de vida, prestamista (financiamento) e previdência. Desde a chegada do governo Bolsonaro, os brasileiros tentam renegociar esse acordo de 20 anos para conseguirem condições financeiras mais favoráveis. A postura do presidente, que cancelou encontro com Le Drian e na mesma tarde apareceu em uma transmissão ao vivo cortando o cabelo, desagradou o governo Macron.

Um olho no peixe… CNP e Caixa são sócias desde 2001. Apesar de o contrato em questão ter sido fechado no ano passado durante governo Michel Temer, a nova gestão da Caixa orientou a revisão de todos os negócios inclusive com os franceses. Embora até mesmo a cifra já estivesse combinada, a sócia europeia aceitou voltar à mesa, já que a parceria com os brasileiros tem peso em seus resultados: o Brasil é o segundo maior mercado da CNP no mundo, atrás somente da França.

…outro no gato. Não bastasse isso, a CNP também está de olho nas demais parcerias que a Caixa oferece ao mercado, principalmente para explorar o seguro habitacional, tida como a joia da coroa devido à liderança em financiamento imobiliário do banco brasileiro. A francesa é considerada a principal candidata em arrematar o negócio, tem todo interesse nisso, e o contrato é importante para as duas partes, mas o “episódio capilar” entre Bolsonaro e Le Drian parece ter gerado ruídos.

O casamento entre Caixa e CNP começou em 2001, quando a francesa comprou o controle da seguradora das mãos do fundo de pensão do banco, a Funcef. A francesa levou o negócio por R$ 1 bilhão. Procuradas, Caixa e CNP não comentaram.

Põe o dedo aqui. Enquanto isso, a Caixa Seguridade vai receber propostas não-vinculantes de empresas interessadas em oferecer produtos e serviços aos clientes da instituição federal até 23 de agosto. Até agora, o negócio já atraiu nomes como a japonesa Tokio Marine, a BB Seguridade, do Banco do Brasil, o ressegurador IRB Brasil Re, Bradesco, a norte-americana Chubb Seguros, dentre outros.

O que vem por aí. A segunda fase da venda do chamado balcão de seguros da Caixa começou na segunda-feira, dia 5, com o envio de uma nova leva de dados aos interessados. Após receberem mais informações sobre o negócio, os candidatos poderão fazer seus primeiros lances. O acordo, porém, só poderá ser fechado mais à frente, quando os finalistas farão ofertas vinculantes.

Ficou para agosto. A ideia da Caixa Seguridade era iniciar essa segunda fase em julho, mas o processo acabou atrasando e ficou para agosto. Em jogo, estão parcerias de 20 anos, a serem iniciadas em fevereiro de 2020, nos segmentos de seguro habitacional e residencial, de automóvel, consórcio e capitalização. A Caixa também procura parceiros nos ramos de grandes riscos, saúde, planos odontológicos e serviços de assistência 24 horas. Caixa e sua seguradora não comentaram.

Desova. Em outra frente, a Caixa deu o pontapé para lançar uma oferta subsequente (follow on) de suas ações detidas no Banco do Brasil (BB) no fim de setembro, conforme antecipou a Coluna na manhã de ontem. Pela cotação de R$ 48,50, a operação pode alcançar cerca de R$ 3,3 bilhões. A fatia está nas mãos do Fundo de Investimento do FGTS.

Juntinhos. Também na segunda, a Caixa fechou o sindicato de bancos que estruturará a operação. Foram mandatados JPMorgan, Credit Suisse, Itaú BBA, XP Investimentos, além do próprio BB e Caixa, que será líder da operação. A União e o próprio BB também podem embarcar na oferta, o que mais que dobraria o montante do follow on. Neste ano, a Caixa já vendeu R$ 10 bilhões em operações na bolsa envolvendo fatias na estatal Petrobrás e no IRB Brasil Re. Vale lembrar que o banco público ainda detém 3% do ressegurador por meio do FIP Barcelona.

Referência: Estado de São Paulo