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Mercado de seguro rural está mais aquecido

30 de agosto 2019

A adoção do seguro rural poderá crescer significativamente no Brasil por estímulo federal – em especial, no Rio Grande do Sul – devido a enxurradas que determinaram elevadas perdas na Fronteira-Oeste no início deste ano e à falta de chuva que afetou a soja, em 2018. E partir de 2020, o mercado deverá entrar em um novo patamar com o governo federal, tendo a perspectiva de direcionar US$ 1 bilhão à subvenção e à pulverização melhor do serviço.

Nesta quinta-feira, o BB fez a entrega simbólica de R$ 116 milhões a agricultores do Estado, como Luciano Marangoni, que tiveram perdas com a enxurrada na Fronteira-Oeste no início deste ano. Nos últimos seis anos, o agricultor já precisou acionar o seguro em três safras. O primeiro seguro foi feito há quase 10 anos. “Só no arroz, neste ano, o prejuízo foi de R$ 90 mil, porque perdi toda a lavoura. O custo foi de cerca de R$ 3,5 mil, e tive reembolso de R$ 75 mil. E também tive problema na área de soja. Sem o seguro, seria complicado”, explica Marangoni, de Cacequi, que com a esposa, Heloísa Martignago, participou da cerimônia do BB em Esteio.

Entre os produtores gaúchos a preocupação de Marangoni com o seguro rural não chega a ser uma exceção, mas também não é um hábito da maioria dos produtores. O Banco do Brasil, por exemplo, comercializou o serviço para apenas 9 mil agricultores do Estado em 2018. Mas a tendência é de crescimento entre 10% e 15% já neste ano e também em 2020, avalia Reinaldo Yokoyama, diretor comercial do BB Seguros.

Hoje, existem, basicamente, dois modelos de seguros, o rural (que repõe os gastos com insumos, por exemplo) e o seguro agrícola faturamento (com o qual o produtor garante a reposição da renda perdida), explica Yokoyama. De acordo com o executivo, o BB representa, atualmente, cerca de 60% de todos os seguros rurais feitos no Brasil, e o modelo vive uma “revolução”.

“Em quatro anos, o seguro agrícola faturamento passou de 1% para quase 10% dos seguros voltados ao setor no segmento da soja. Ou seja, o produtor está optando mais pelo modelo que garante a renda, que é o ideal”, explica Yokoyama.

No setor privado, a Mapfre, empresa que tem participação do BB, registrou alta de cerca de 40% na venda de seguro rural entre 2017 e 2018, e pode superar esse índice em 2019, de acordo com Pablo Haack, subscritor sênior de Riscos Agrícolas da empresa. No Rio Grande do Sul, a Mapfre já comemora a expressiva alta de 187% na carteira de seguro rural entre janeiro e junho de 2018 ante o mesmo período de 2019.

Também otimista com o ano e o com o futuro está a seguradora Sancor, que espera expansão de 20% em 2019, com o faturamento podendo chegar a R$ 230 milhões. No ano-safra 2019/2020 (de julho de 2019 a junho de 2020), a expectativa é crescer na mesma proporção. A área coberta pelas apólices da companhia pode chegar a 1,5 milhão de hectares, e a receita, a R$ 250 milhões, estima o gerente comercial nacional de seguros de agronegócios da Sancor, Everton Todescatto.

O plano nacional

Em 2020, o governo federal deverá destinar R$ 1 bilhão para subvencionar a contratação de apólices do seguro rural em todo o País. Com esse valor, cerca de 150,5 mil produtores rurais poderão ter a safra segurada, de acordo com o Ministério da Agricultura.

O governo estima que devem ser contratadas 212,1 mil apólices, com a cobertura de 15,6 milhões de hectares e valor segurado de R$ 42 bilhões.

Em 2019, o orçamento é de R$ 440 milhões, com a contratação de 93,9 mil apólices, cobertura de 6,9 milhões de hectares e R$ 18,6 bilhões de valor segurado.

Os números do BB

O Rio Grande do Sul representou 15% dos 63 mil contratos de seguros agrícolas no Banco do Brasil, sendo que a maior concentração foi na produção de soja (60%), seguida pela de arroz (23%).

Os 9 mil contratos de seguro por safra em uma área de mais de 1 milhão de hectares.

A carteira no RS é composta principalmente por pequenos e médios produtores com área média de 110 hectares.

Na safra 2018/2019, indenizamos mais mil produtores (R$ 116.288.039,00). O valor acumulado nas últimas três safras foi de R$ 246 milhões.

Referência: Jornal do Comercio RS