Capitolio


Setor de seguros cresce 8,4% no 1º semestre

05 de setembro 2019

Aumento reflete a maior procura por segurança nos segmentos de pessoas e de danos e responsabilidades. As razões da expansão e os desafios do setor estão sendo debatidos no Conseguro 2019, em Brasília

Com arrecadação de R$ 125,4 bilhões, o setor de seguros cresceu 8,4% no primeiro semestre, um resultado que chama a atenção diante da minguada expansão do Produto Interno Bruto (PIB), de 0,7%, entre janeiro e junho. Os valores não incluem receitas com o DPVat e saúde complementar. O resultado reflete, principalmente, o aumento de 9,3% no segmento de seguro de pessoas e de 5,5% no de danos e responsabilidades. Outra explicação para o resultado são os números de junho, quando a receita somou R$ 21,9 bilhões, 15,6% a mais do que o mesmo mês do ano passado. Já o ramo de automóveis, a principal carteira de seguros de propriedade, teve queda de 0,7% no semestre.

Para Márcio Coriolano, presidente da Confederação das Seguradoras (CNseg), uma das explicações para o resultado é que o setor de seguros é pró-cíclico, ou seja, quando a economia vai bem, as empresas produzem mais e contratam seguros. “Por outro lado, quando a economia vai mal, as pessoas tendem a querer mais proteção”, afirma. No entanto, ele admite que o resultado do semestre está influenciado pela comparação com uma base muito deprimida dos seis primeiros meses de 2018, quando o setor encolheu 4,2%.

As razões da expansão e os desafios do setor estão sendo debatidos no Conseguro 2019, ontem e hoje, em Brasília. O Congresso foi aberto pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso e pela presidente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, além de outros especialistas.

De acordo com Solange, o mercado de seguros possui como pilares de desenvolvimento a concorrência, a cobertura, a credibilidade e a tecnologia. “É preciso acreditar no futuro e imaginar uma nova forma de trabalhar nos novos mercados”, afirmou a presidente da Susep. Entre as inovações realizadas pela superintendência estão a apólice eletrônica e o Sandbox regulatório, em consulta pública até o fim de setembro. “Estamos avançando rápido e não podemos perder o timing.”

Segundo Solange Vieira, o setor responde por 6,6% do PIB e é instrumento de apoio de políticas públicas e para o desenvolvimento econômico. “Por que não se pode pensar o seguro-desemprego como um produto privado? Estamos falando de cerca de 1% do PIB, numa gestão que, certamente, poderia ser mais eficiente”, disse, ao se referir aos espaços ocupados pelos seguros nos setores público e privado.

Desde março, quando assumiu a gestão da Susep, ela formulou três decretos para reorganização da estrutura. Um deles é a Circular 592, publicada em 29 de agosto, que permite a comercialização de seguros por prazo definido ou intermitente, ou seja, as seguradoras podem produzir seguros com duração limitada ou que tenham prazo interrompido. A regulamentação do serviço já é oferecido nos Estados Unidos e Europa.

A presidente da Susep defende que empresas ineficientes sejam retiradas do mercado, pois “contaminam o setor”. Segundo ela, outras medidas adotadas se referem a práticas e condutas, transparência na taxa de corretagem, redução do número de empresas sob regimes especiais e, como medida cautelar, suspensão das atividades de assistência financeira de seguradoras. “As pessoas não podem se sentir enganadas na venda de produtos. Tivemos problema com uma seguradora, suspendemos a operação e ainda estamos tomando as devidas medidas”, disse.

Autor: Cláudia Dianni, Catarina Loiola e Cristiane Norberto
Referência: Correio Braziliense