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Sistema atual de gestão está defasado

02 de outubro 2019

“Precisamos aprender o que, de fato, é entrega de valor e mudarmos o modelo” Rodrigo Tanus, CEO da Livon Saúde

Hospitalização excessiva e de alto custo, ausência de foco em valor e falta de gestão em saúde populacional são os três fatores principais citados pelo médico e CEO da Livon Saúde, Rodrigo Tanus, para o crescimento insustentável do custo da saúde no Brasil. Para ele, a hospitalização excessiva é um dos grandes vilões do aumento das despesas. As internações hospitalares respondem por 55% dos gastos assistenciais. Ainda de acordo com ele, as internações são indicadas a fim de sustentar o modelo em vigor. “Se não desospitalizarmos o sistema, dificilmente conseguiremos diminuir os custos”, pondera.

Rodrigo afirma que não existe um foco em valor no Brasil. Isso acontece porque os prestadores de serviço de saúde seguem o modelo fee for service – remuneração tradicional, no qual tudo que é utilizado no atendimento é listado em uma fatura.

Para especialistas, a mudança desse tipo de modelo é uma evolução necessária a fim de garantir a sustentabilidade do setor, já que ele incentiva a geração de demandas sem levar em conta a qualidade do serviço. Com o modelo, os prestadores têm uma mentalidade de que, se gera mais procedimentos, ele fatura mais. Tanus explica que esses prestadores de serviço, os médicos, não têm na própria formação uma visão direcionada para os negócios em saúde. “Precisamos aprender o que, de fato, é entrega de valor e mudarmos o modelo”, analisa.

A ausência de monitoramento e da mensuração dos desfechos clínicos colabora para a falta de foco no valor. O CEO da Livon acredita que é necessário uma disrupção do pensamento atual sobre o sistema. No entender dele, a mudança tem que envolver os prestadores de serviços, já que os mesmos não conhecem o que é valor em saúde. Ele explica que o valor em saúde é o resultado clínico que importa para o paciente dividido pelo custo da assistência. “Toda assistência, por menor que seja, custa. Esse valor em saúde tem que ser positivo, o que não acontece nos dias atuais”, avalia.

A falta de mensuração de informações também não permite que o Brasil afirme a resolutividade da atenção primária à saúde (APS).

“Entendemos que a atenção primária é vital. Precisamos de atenção primária para 100% das pessoas, mas não há como provar essa resolutividade”, explica Tanus. A falta de investimento em atenção primária é um dos motivos da ausência de gestão em saúde populacional. “Na conjuntura atual, entendemos que só é possível fazer isso com tecnologia”, afirma.

Ao analisar o ecossistema de saúde para entender a lógica do setor e quais são os diferentes públicos estratégicos, Tanus avalia que a saúde no Brasil ainda não é tecnológica. “A saúde no Brasil é analógica. Ter um prontuário de saúde não significa ter tecnologia porque, se você tem um dado que não é lido, processado, ele se transforma em um lixo eletrônico.”

Referência: Correio Braziliense