Capitolio


Incor e Intel querem sigilo de dados médicos

04 de outubro 2019

Parceria vai usar inteligência artificial para reconhecer informações pessoais em exames e ‘apagá-las’ para análises e pesquisas

O Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (Incor) e a gigante de tecnologia Intel estão à frente de uma iniciativa pioneira: as duas instituições estão colaborando no desenvolvimento de uma tecnologia de inteligência artificial capaz de esconder dados pessoais dos pacientes dos exames – algo que pode beneficiar não só o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas na área médica como aumentar o sigilo quando um exame precisa ser analisado por um corpo diferente de médicos.

Atualmente em fase de testes dentro da instituição médica, a tecnologia utiliza aprendizado de máquina para conseguir separar quais dados presentes em um exame pertencem ao paciente e quais dizem respeito à sua condição de saúde.

“A máquina foi treinada a partir de uma base de dados e agora é capaz de entender se algo que está escrito no exame é o nome da pessoa ou a medida do seu pulmão, por exemplo”, explica Guilherme Rabello, gerente de inovação do Incor. “Depois que a tecnologia faz a varredura na imagem e detecta quais dados devem ser anônimos, essas informações são borradas dentro do exame.”

Segundo o executivo do Incor, a medida permite que um exame possa ser enviado para análise de um segundo grupo de médicos, respeitando a privacidade do paciente. “E algo que é muito importante a ser considerado quando temos uma lei como a Lei Geral de Proteção de Dados”, explica Rabello.

Na primeira fase de testes, foram utilizados conjuntos com 600 imagens de cada tipo de exames populares no Incor – como raio-x, tomografia, ressonância, ultrassom e eletrocardiograma.

“Conseguimos uma precisão de acerto em 91%. Agora que entendemos como funciona o processo, vamos refinar o aprendizado”, diz o gerente de inovação do Incor.

Os dados que não ficarem anônimos podem ajudar cientistas e médicos a entender novas fronteiras de diagnósticos, com auxílio de tecnologias como big data (análise de dados).

Para Maurício Ruiz, presidente executivo da Intel no Brasil, a utilização de inteligência artificial para ocultar dados pessoais nos exames é “resolver um problema do século 20 com as ferramentas do século 21”.

Segundo Guilherme Rabello, após o refinamento da tecnologia, o plano é passar a utilizá-la em escala comercial. E algo que só deve acontecer em 2020, diz o executivo. Além disso, o Incor estuda como a tecnologia poderá ser licenciada ou distribuída para outras instituições de saúde do País.

Autor: Bruno Capelas
Referência: Estado de São Paulo