Capitolio


Dr Google: é possível confiar nele?

16 de outubro 2019

Aproximadamente um quarto da população brasileira (26%) recorre primeiro ao Google quando se depara com algum problema de saúde — porcentual não tão distante ao daqueles que buscam apoio médico como primeira opção (35%). A facilidade de acesso à plataforma e o alto número de pessoas sem plano de saúde no Brasil (70%) ajudam a entender o fenômeno, principalmente entre as classes C, D e E.

As informações estão na reportagem publicada em fevereiro de 2019 pela repórter de Saúde do Estadão Fabiana Cambricoli. Após obter acesso à pesquisa inédita do Google Brasil, ela consultou diversos especialistas para entender as vantagens e os riscos do uso da plataforma, e traduzir as informações ao público com linguagem acessível. A matéria também conta histórias reais de três brasileiros que foram ajudados e/ou prejudicados pelas consultas ao “Dr. Google”.

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

1 – Aconteceu comigo

Proponha um debate com os estudantes sobre as experiências deles. Eles já usaram o “Dr. Google” para procurar diagnóstico rápido e gratuito para algum sintoma? Quais as razões para isso? Os alunos já recorreram à automedicação? Algum deles teve problemas por tomar remédios sem indicação ou orientação médica? Qual foi a reação dos pais deles? Os alunos sabem se os pais também fazem esse tipo de busca? O objetivo é aproximar a discussão da realidade dos estudantes, fazendo-os pensar sobre atitudes que podem parecer banais.

2 – Dá para confiar?

Esse exercício requer uso de computador e acesso à internet. Peça aos alunos que pesquisem no Google sobre um sintoma comum — dor de cabeça, por exemplo — e anotem todas as possíveis doenças relacionadas ao problema e as informações divergentes entre os sites. Após alguns minutos, questione os alunos e escreva todas as respostas no quadro. A atividade mostra o problema da confiabilidade na rede e a enorme variação de possibilidades na área médica, o que ajuda a valorizar a ciência e o trabalho do profissional da saúde.

3 – Riscos biológicos

O aumento das pesquisas no Google sobre sintomas e tratamentos de saúde reforça o fenômeno da automedicação entre os brasileiros. É possível analisar os perigos do hábito pela perspectiva da Biologia, em aulas sobre genética e doenças bacterianas, fúngicas e virais.

Apresente meios de cultura de micro-organismos e explique o funcionamento de medicamentos como antibióticos, por exemplo. A visualização auxilia no entendimento de que cada remédio serve para um fim específico e que os tratamentos são determinados pelo médico com base em diversos fatores, entre eles o histórico do paciente. Trate  o fenômeno da resistência bacteriana e, com auxílio de bulas, mostre os possíveis efeitos colaterais dos remédios – incluindo combinações de risco entre princípios ativos.

Ideia simples e prática: cada vez em que abordar alguma doença em sala de aula, é interessante indicar qual o profissional especializado na área da Medicina que trata sobre aquele assunto (clínico geral, cardiologista, otorrinolaringologista, traumatologista, etc). Essa pequena atitude pode familiarizar o aluno com a área da Medicina e incentivar a valorização do trabalho dos médicos.

Autor: Levy Teles e Samuel Lima
Referência: Estado de São Paulo