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Intervenção do Postalis deve acabar dentro de dois meses

25 de outubro 2019

Para lidar com déficit de R$ 12 bi, ideia é criar mais um plano de aposentadoria

Após mais de dois anos e quatro prorrogações, a intervenção do órgão regulador no fundo de pensão dos Correios, o Postalis, deve terminar daqui a dois meses, prevê o interventor Walter Parente. Nessa reta final, o comando da fundação se preparara para apresentar aos participantes um novo plano de aposentadoria e quer trazer à mesa de negociação a administradora de fundos BNY Mellon, contra a qual move seis processos.

A Previc, que supervisiona os fundos de pensão, decretou intervenção no Postalis em outubro de 2017. A época, a fundação era alvo de uma série de denúncias de fraudes, e

a Previc constatou que o Postalis contabilizava irregularmente em seus balanços ativos já considerados podres.

Parente sustenta que, desde então, a intervenção conseguiu recuperar R$ 137,8 milhões que haviam saído do balanço da fundação por meio de execuções judiciais e denúncias na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra administradores de seus fundos.

Nos dois meses que restam para a intervenção, Parente vai propor aos participantes a migração para um plano de contribuição definida (CD). Ele funciona como um plano de capitalização, com contas individuais e benefício ligado ao desempenho dos investimentos – logo, não tem déficit.

DÍVIDA DOS CORREIOS

Segundo Parente, a migração será opcional mas, se não ocorrer, a Previc acabará liquidando o plano mais problemático – de benefício definido, pelo qual os participantes escolhem quanto receberão na aposentadoria. O objetivo do novo plano é eliminar o equacionamento de um déficit da ordem de R$ 12 bilhões do plano de benefício definido.

– Os aposentados teriam que contribuir com quase 40% da aposentadoria. E impossível descontar isso – diz.

O fundo também conseguiu calcular em R$ 1,3 bilhão uma dívida dos Correios com o Postalis, a chamada Reserva Técnica de Serviço Anterior. Segundo Parente, essa conta está agora sendo auditada pelos Correios, mas ele vê boa disposição da estatal para quitá-la.

Autor: Rennan Setti
Referência: O Globo