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Manutenção dos índices de roubo no Rio deve reduzir seguros em até 30%

31 de outubro 2019

Segurança pode garantir queda ainda maior

RIO — Após fazer o seguro do carro por dez anos seguidos, o representante comercial André Boscarino, de 46, decidiu não renovar a apólice no início deste ano. Ele abriu mão da cobertura por causa do reajuste no preço do contrato, afetado principalmente por causa da criminalidade em Campo Grande, onde mora. Mas o cenário mudou. A região registrou queda de 23,6% nos roubos de veículos de janeiro a setembro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, seguindo a taxa média de redução do índice em todo o estado, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Com o freio no crime, a tendência é que o mercado pise no acelerador. De acordo com o presidente do Sindicato dos Corretores do Rio (Sincor-RJ), Henrique Brandão, a expectativa é que as seguradoras pratiquem, a partir de janeiro, valores até 30% mais baixos do que em 2019.

— As seguradoras trabalham com estatística, então existe um tempo de maturação para que a queda na criminalidade se estabilize e, a partir daí os valores sejam reajustados. Vamos sentir o efeito já no início do ano. Os preços farão uma curva descendente e terão uma redução na ordem de 20% a 30% — afirma Brandão.

O representante comercial Boscarino espera conseguir em breve renovar seu seguro.

— Tenho visto mais policiamento nas ruas. Até o fim de novembro, espero renovar — diz.

Como o GLOBO mostrou nesta quarta-feira , o preço médio dos seguros no Rio já caiu 17,5% em agosto deste ano, em relação a agosto de 2018, de acordo com levantamento da Bidu Corretora.

O corretor de seguros de automóveis Fernando Capetine, reforça a tese de que a criminalidade impacta diretamente no setor. Segundo ele, com o aumento do índice de roubos nos últimos anos, seus clientes de anos tiveram dificuldades de renovar a cobertura.

— A gente monitora os preços diariamente. A tendência é de melhora — avalia.

Para o diretor-executivo do Sindicato das Seguradoras RJ/ES, Ronaldo Vilela, a queda nos índices de criminalidade beneficia tanto as seguradoras, que passam a correr menos riscos, quanto os segurados, que podem contar com mais opções no mercado. Um dos efeitos da redução nos roubos é o retorno de companhias que deixaram de atuar em áreas conflagradas.

— Se a diminuição dos roubos e furtos de veículos for mantida, obviamente após um período o preço vai refletir essa queda. A seguradora quer índices menores para operar com segurança. Eles querem vender o produto e angariar muitos clientes — explica Vilela.

Além da redução nos valores das apólices tradicionais, os proprietários de carros passam a contar com novas modalidades de apólices, que se adaptam ao bolso do cliente, como o seguro intermitente, que permite ao proprietário delimitar os dias do mês e até as horas do dia em que o carro estará coberto pelo contrato.

Autor: Carolina Heringer, Matheus Maciel e Pedro Zuazo
Referência: O Globo