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Com caixa cheio, fundos imobiliários disputam ativos

26 de dezembro 2019

Coluna Broadcast

Uma disputa por uma fatia acionária no Shopping Praia de Belas, em Porto Alegre, opôs a XP Asset e o Iguatemi. A XP tentou levar os 20% colocados à venda pelo braço imobiliário do IRB Brasil Resseguros para engordar seu fundo de investimentos imobiliários (FII). Mas na última hora, o Iguatemi, que já tinha 36% do shopping, decidiu exercer seu direito de preferência e adquiriu a participação por R$ 174,6 milhões. A disputa por ativos por parte dos gestores para compor suas carteiras é reflexo da febre dos investidores por fundos imobiliários. Diante de queda nos juros, inflação controlada, mais crédito e lançamentos de empreendimentos imobiliários, a demanda pelos FIIs, que isenta a pessoa física do Imposto de Renda, cresceu e o valor de mercado desses fundos já chega a R$ 55 bilhões, alta de 60% no ano até setembro, de acordo com a B3.

Briga pesada. O outro lado da moeda, porém, é que o interesse por ativos imobiliários rentáveis, como shoppings e galpões, tem sido mais intenso e, consequentemente, elevado seus preços. Ao fazer sua quinta emissão de cotas em outubro, no valor de R$ 808 milhões, a XP já tinha identificado o risco de não levar a fatia do Praia de Belas, dado o direito de preferência do Iguatemi.

Eu quero. Os investidores viram nos FIIs uma oportunidade de diversificar a carteira com rentabilidades maiores. O XP Malls, voltado ao segmento de shoppings centers, tinha números bem modestos quando foi lançado há dois anos: 6 mil cotistas e R$ 250 milhões. Hoje, são cerca de 130 mil cotistas, em sua maioria pessoas físicas, que detêm cerca de 70% dos R$ 2,4 bilhões em carteira. Procurados, o Iguatemi confirmou o exercício do direito de preferência, e o IRB não quis comentar a operação.

Referência: O Estado de S. Paulo