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Saiba como os dados se tornaram aliados da nossa saúde (e das seguradoras)

06 de janeiro 2020

Relógios que acompanham o desempenho de atletas, pulseiras que medem a frequência cardíaca e o desempenho do sono e apps que acompanham nossa rotina alimentar. Diversos são os gadgets que mapeiam nossa saúde e nos impulsionam a deixar a ociosidade. A forma como essas informações são utilizadas, contudo, pode fazer com que uma pessoa tenha mais qualidade de vida do que outra.

O uso dos dados para o bem-estar humano foi tema do evento “Biohacking e Optimização da Saúde” realizado no Cubo Itaú, maior hub de empreendedorismo da América Latina. O termo biohacking, segundo o educador físico Tiago Pereira, “significa usar ciência, tecnologia e auto-experimentação para hackear e otimizar a própria biologia, mente e vida”. Ou seja, da mesma forma que hackers invadem computadores, hoje é possível “invadir os dados do corpo” e, a partir dessas informações, investir em longevidade.

“Desde o início do século XXI, gigantes de tecnologia, como Samsung e Apple, passaram a investir em dados para a saúde por conta do maior tempo de vida da população. Afinal, somos todos algoritmos orgânicos”, disse o consultor em inovação.

Com o maior acesso a dados dos clientes, seja por gadgets ou por atendimentos, seguradoras e hospitais estão utilizando as informações para oferecer opções preventivas aos pacientes — com o real objetivo de reduzir os custos com assistência emergencial. O mesmo está sendo feito por empresas, que gastam até 20% da folha de pagamento com planos de saúde,  destacou Pereira, parceiro da Suridata, startup de auditoria da dados.

“As companhias estão entendendo que o profissional sedentário gera um custo muito alto. As seguradoras agora querem vender qualidade de vida, não plano para emergência. O crescimento do Gympass [startup de academias] tem a ver com essa mudança no comportamento da população”, argumentou.

Gadgets para monitoramento da saúde

De acordo com Pereira, há diversos equipamentos à venda no mercado que fazem medições de nossa saúde: desde relógios específicos para atletas a pulseiras que monitoram o sono, a pressão e os batimentos cardíacos. “O grau de assertividade dos gadgets é bom, mas o ideal é comparar a eficiência deles com equipamentos próprios, como um medidor de pressão, antes de efetuar a compra”, aconselhou ele.

Com o excesso de dados gerados pelos aparelhos, o usuário deve sempre consultar um médico para confirmar as informações, sem entrar em uma neurose em busca de um estilo de vida perfeito, alerta a médica Luana Landeiro, do Instituto Assaly. “Os dados devem ser utilizados como apoio no diagnóstico e nunca substituir o médico.”

Biohacker assumido, Pereira afirma que “administra” as informações que recebe sobre sua saúde e não abre mão de momentos de descontração. “Não deixo de comer um pedaço de bolo de chocolate e tomar uma cerveja para ficar de olho no relógio. Vivemos em caos, mas devemos ter algum controle sobre isso”, disse.

Autor: Patrícia Basilio
Referência: Gazeta do Povo on-line