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Ação do IRB cai 9% após aposta contrária de gestora

04 de fevereiro 2020

Para a carioca Squadra, percepção sobre lucro da resseguradora está errada. Companhia nega

O IRB-Brasil, líder do setor de resseguros, caiu 9% ontem na Bolsa, perdendo R$ 3,8 bilhões em valor de mercado, depois de a gestora carioca Squadra informar que está apostando contra seus papéis. Foi a maior queda já registrada pela ex-estatal, que foi privatizada em 2013 e abriu seu capital há menos de três anos. Ao longo do pregão, o IRB-Brasil chegou a perder R$ 6,6 bilhões em valor de mercado.

Em carta a clientes, a gestora de Guilherme Aché argumentou que o IRB -Brasil possui lucratividade real bem abaixo do lucro contábil que divulga e, por isso, a Squadra estava short no papel – jargão de mercado pa posições que se favorecem da queda das ações. “Existem indícios que apontam para lucros normalizados (recorrentes) significativamente inferiores aos lucros contábeis reportados”, afirmou a Squadra, sediada no Leblon e que gere R$ 3,7 bilhões em recursos.

A gestora ponderou que não estava acusando a empresa de descumprir regras legais e contábeis, mas, sim, que “há uma grande disparidade entre preço e valor nas ações do IRB, causada principalmente por uma percepção de parcela do mercado sobre a sustentabilidade dos seus elevados níveis de retorno sobre o capital.”

De acordo com a gestora, a Squadra passou a apostar contra as ações do IRB-Brasil em maio de 2018, e essa é hoje a principal posição de seu fundo Squadra Long-Biased.

IRB CONTRATA PARECERES

Em nota, o IRB-Brasil rebateu a Squadra, sustentando que suas demonstrações financeiras são elaboradas segundo as normas contábeis “com absoluta precisão, passando por um rigoroso processo de governança.” A empresa sugeriu ainda que está avaliando medidas legais a tomar.

O Globo apurou que, em resposta aos questionamentos da Squadra, o IRB-Brasil contratou pareceres dos contadores e professores da FEAUSP Eliseu Martins e Nelson Carvalho (ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras), e da CP Assessoria Contábil. Os pareceres, aos quais O GLOBO teve acesso, não encontraram irregularidades nos balanços resseguradora.

Autor: Rennan Setti
Referência: O Globo