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Gestora apostou em queda do IRB antes de carta

07 de fevereiro 2020

Coluna Broadcast

Dias antes de a carioca Squadra publicar uma carta questionando os resultados recorrentes do IRB Brasil Re, outra gestora, também do Rio de Janeiro, ampliou sua posição vendida. Ou seja, ela apostava na queda das ações, por meio do aluguel de cerca de 9 milhões de papéis. Coincidência ou não, acertou na mosca. No dia seguinte à divulgação da carta da Squadra, na segunda-feira, 3, essa mesma gestora se livrou das ações, ajudando na queda dos papéis do IRB Brasil Re, que despencaram na Bolsa. A queda chegou a 16%. Ao longo do dia, porém, o ressegurador conseguiu se recuperar parcialmente. Fechou com queda de 9,06%, após defender seus resultados por meio de comunicado ao mercado e realizar uma série de conversas da alta cúpula da companhia com investidores e analistas.

Quem sou eu? Localizada no Leblon, essa gestora montou posição vendida no IRB em junho. De lá para cá, porém, teve prejuízo com a aposta: as ações do ressegurador tiveram alta de mais de 54% na Bolsa em um ano. O mesmo ocorre com a própria Squadra, que também tem posição vendida em IRB e já havia informado isso ao mercado há cerca de um ano.

No alvo. Outra coincidência foi o momento da publicação da carta da Squadra. O documento foi disparado no domingo passado, um dia antes do início do período de silêncio do IRB por conta da divulgação de resultados de 2019, agendada para 18 de fevereiro.

Insider. O caso IRB versus Squadra foi além da Bolsa. Chegou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) e ainda teria gerado desconforto entre membros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Foi aberto, inclusive, um processo administrativo envolvendo o IRB Brasil Re e a carioca Squadra na própria segunda, dia 3, junto à xerife do mercado de capitais.

De volta. Na Bolsa, as ações do IRB já se livraram do ‘efeito Squadra’. Desde segunda, os papéis se recuperaram e estão em alta. O valor de mercado, que havia caído a R$ 38,2 bilhões, já está acima dos R$ 40 bilhões novamente.

Com a palavra. Procurado, o IRB não comentou o assunto. A Squadra não respondeu ao questionamento da Coluna. PGFN não se manifestou e a CVM informou que não comenta casos específicos.

Referência: Estado de São Paulo