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Com aversão a risco, Caixa Seguridade vai suspender IPO

10 de março 2020

A Caixa Seguridade, braço de seguros e previdência da Caixa Econômica Federal, decidiu suspender o processo de sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), por três meses, segundo apurou o Estado, devido à turbulência nos mercados com os efeitos do coronavírus e da queda abrupta no preço do petróleo.

A previsão inicial era que o IPO fosse concluído em abril. A decisão, que ainda não é oficial, deve ser referendada em reunião do Conselho de Administração da Caixa marcada para o dia 2 de março.

Ontem, a Bolsa de Valores brasileira encerrou com queda de 12,17%, aos 86.067 pontos, menor patamar desde 26 de dezembro de 2018. Essa foi a maior queda diária, em termos percentuais, desde setembro de 1998, quando a Bolsa caiu 15,8% em período marcado pela crise financeira russa.

Segundo uma fonte a par das discussões, a empresa entendeu que não faria sentido fazer a operação – estimada em R$ 15 bilhões – neste momento de turbulência global, com risco de não ter a participação de investidores estrangeiros. O objetivo do banco público é avaliar a empresa entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões em sua primeira abertura de capital.

O banco trabalhava com o mês de fevereiro para protocolar o IPO da Caixa Seguridade. A ideia era fazer um período de roadshow (reunião com investidores no jargão do mercado) extenso para conseguir emplacar um bom valor para a companhia. Assim, a precificação do IPO ficaria apenas para abril.

Em fevereiro, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou, em coletiva de imprensa para comentar os resultados do banco, que o IPO do negócio de seguros estava “maduro”. “As seis parcerias que já fechamos correspondem a 90% do resultado de seguros e já viabilizam a oferta inicial de ações (IPO). As outras cinco são menos relevantes”, disse ele, na ocasião.

No ano passado, a Caixa Seguridade entregou lucro líquido de R$ 1,536 bilhão, o que representou um aumento de 4% na comparação com 2018. O IPO está sendo estruturada pelo próprio banco público, ao lado de Morgan Stanley, Bank of America, Itaú BBA, Credit Suisse e Banco do Brasil.

Autor: Adriana Fernandes
Referência: Estado de São Paulo