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A saúde na década de 20

16 de março 2020

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elencou os desafios globais urgentes na saúde para a década que se inicia. Os dez tópicos foram elaborados tendo em vista o prazo para a concretização dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, em 2030.

Em primeiro lugar há os desafios genéricos e perenes de aprimoramento dos sistemas de saúde, como por exemplo a valorização dos profissionais de saúde e investimentos em saneamento básico. Um destes desafios é tornar o atendimento mais equitativo. Entre os países ricos e pobres a diferença na expectativa de vida é de 18 anos. O crescimento de enfermidades não transmissíveis como câncer ou algumas doenças respiratórias tem imposto um peso desproporcional aos gastos com saúde das famílias mais pobres em países de renda média e baixa. Segundo a OMS, um dos melhores meios de reduzir as desigualdades é o aprimoramento do atendimento primário, que cobre a maior parte das necessidades com saúde de uma pessoa.

Na mesma linha está a expansão do acesso a medicamentos. Um terço da população mundial não tem acesso a remédios, vacinas, instrumentos diagnósticos e outros produtos que compõem o segundo maior gasto dos sistemas de saúde, depois das despesas com pessoal, e o maior gasto na saúde privada em países de renda média e baixa.

Em 2020, as doenças infecciosas devem matar 4 milhões de pessoas, a maioria pobres, enquanto em 2019 doenças evitáveis por vacinação mataram 140 mil, a maioria crianças. A OMS acusa os níveis insuficientes de financiamento e a debilidade dos sistemas de saúde em países endêmicos, concomitantemente à falta de compromisso por parte dos países ricos.

Há ainda as projeções de risco. Em 2019, a maioria dos surtos de doenças que exigiram o nível máximo de resposta da OMS ocorreu em países que enfrentavam conflitos prolongados. Se a conjuntura geopolítica se tornar mais instável, esses casos podem aumentar, exigindo novas estruturas de atendimento humanitário. Além disso, a OMS considera inevitável o surgimento de uma pandemia provocada por um novo vírus ainda mais infeccioso que o coronavírus – provavelmente uma variação da influenza – ao qual a maior parte das pessoas não é imune. A Organização conclama os países a preparar seus sistemas de saúde para o momento em que tais emergências eclodirem.

“A resistência antimacrobial ameaça um retrocesso de décadas para a medicina, rumo à era pré-antibiótica”, alerta a OMS. A elevação da resistência é causada por uma miríade de fatores, como prescrição e uso desregulado de antibióticos, falta de acesso a medicamentos e a água e esgoto. É importante atacar estas causas e, paralelamente, investir no desenvolvimento de novos antibióticos.

Um terço das doenças globais é causado por falta de alimentação ou dietas insalubres. Ao mesmo tempo que a fome flagela milhões, sendo às vezes uma arma de guerra, a obesidade tem crescido globalmente. Em 2019, a indústria alimentícia se comprometeu a eliminar a gordura trans até 2023. Mas é necessário seguir investindo em reformas dos sistemas alimentares.

Naturalmente, um dos tópicos de maior preocupação para a atual geração diz respeito à poluição e às mudanças climáticas. Em 2019, mais de 80 cidades em 50 países comprometeram-se a se alinhar com as diretrizes da OMS sobre qualidade do ar.

Mas o desafio mais singular desta geração é provavelmente a exploração das novas tecnologias. “A edição de genomas, a biologia sintética e as tecnologias de saúde digital como a inteligência artificial podem solucionar muitos problemas, mas também levantar questões para a fiscalização e a regulação.” Reflexões e diálogos aprofundados sobre as implicações éticas e sociais do desenvolvimento tecnológico são mais importantes do que nunca. Um trabalho constante de revisão das evidências associado a deliberações regulatórias por parte dos poderes públicos será essencial para que as tecnologias de última geração, que incluem a criação de novos organismos, não causem danos às pessoas que deveriam ajudar.

OMS alerta sobre os desafios na saúde nesta década, incluindo surgimento de novo vírus.

Referência: Estado de São Paulo