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Reajuste de plano de saúde deve ser maior com Covid-19

18 de março 2020

Para especialistas, se demanda crescer muito em razão da pandemia, empresas podem cobrar algum tipo de compensação

O segmento de planos de saúde é um dos mais afetados pela pandemia de coronavírus. A depender da demanda que o surto gerar, especialistas avaliam que o custo se traduzirá em reajuste maior para o beneficiário, pois a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem autonomia para ajustar a conduta de empresas.

– As empresas da indústria de seguros serão pouco afetadas porque, com base nas apólices disponíveis no mercado, as consequências econômicas de uma pandemia não têm cobertura, como em eventos e viagens. Isso afeta vários ramos do ponto de vista da cobertura individual, a assistência à saúde será a mais impactada avalia Felipe Bastos, sócio da área de Seguros e Resseguros do Veirano Advogados.

A variação dos custos médicos hospitalares, a chamada inflação médica, bateu 16% nos 12 meses encerrados em junho de 2019.

Na saúde suplementar, em caso de uma situação extraordinária, está prevista a atuação da ANS para ajustar a cobertura, explica José Antonio Varanda, professor e coordenador da Escola de Negócios de Seguros.

Na última semana, a agência incluiu o exame para detecção do coronavírus no rol de procedimentos previsto como cobertura mínima obrigatória pelos planos.

– A ANS tomará medidas pontuais pois o SUS não vai aguentar sozinho – diz Varanda. – Se o uso saltar de forma aguda, pode vir nova decisão para, em último caso, não comprometer a saúde financeira das operadoras. Ou mesmo permitir um reajuste.

Antonietta Medeiros, líder de Gestão de Saúde e Qualidade da consultoria Mercer Marsh, diz que dificilmente um surto inviabilizaria a oferta de planos de saúde por uma operadora ou seguradora.

A executiva reconhece, contudo, que o uso dos planos cresceu nos últimos anos, embora a carteira de beneficiários esteja encolhendo. São 3,5 milhões de usuários a menos entre o fim de 2014 e o fim do ano passado, quando o total chegou a 47 milhões no país.

– Há frequência maior de idas ao pronto-socorro, de 4% a 4,5% ao ano. Antes da recessão, a taxa era de 1% a 1,5%. Houve dificuldade econômica, medo de perder emprego, o que faz as pessoas adoecerem mais e usarem mais o plano.

O impacto, reconhece ela, virá no reajuste das mensalidades, que no segmento de planos coletivos empresariais varia segundo a inflação médica.

Autor: Glauce Cavalcanti
Referência: O Globo