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Indicados de Bradesco e Itaú deixam conselho do IRB

22 de abril 2020

Vinicius José de Almeida Albernaz, presidente da Bradesco Seguros, e Alexsandro Broedel Lopes, diretor financeiro e de relações com investidores do Itaú Unibanco, renunciaram às cadeiras que ocupavam no conselho de administração do IRB Brasil Re.

Os dois executivos eram indicações dos bancos, que são os principais acionistas da companhia: a Bradesco Seguros possui 15,23% das ações do IRB; e a Itaú Seguros, 11,14%. Os bancos não informaram sobre a venda das participações na empresa, mas a sinalização é que não indicarão novos membros ao conselho.

O IRB afirmou, em fato relevante divulgado na noite de segunda-feira, que “as renúncias foram motivadas pela necessidade de dedicação exclusiva dos profissionais às suas empresas de origem, diante dos impactos da crise provocada pela pandemia de Covid-19 no mercado”.

A resseguradora informou que, com o auxílio de empresa especializada de headhunting Korn Ferry, selecionou quatro novos nomes para serem titulares de seu conselho, após a deliberação em assembleia geral, ainda sem data marcada. São quatro indicados. Regina Nunes, ex-presidente da S&P Global Ratings, e fundadora da RNA Capital; Ivan Passos, ex diretor-executivo da MDS Corretora de Seguros e da Herco Consultoria, e que também já esteve no conselho do IRB; Henrique Luz, ex-sócio sênior e vice-presidente da PwC; e Marcos Falcão, sócio fundador da Gama Investimentos.

No posto há cerca de um mês, Antônio Cassio dos Santos, presidente do conselho de administração e presidente-executivo interino do IRB, em comunicado, agradeceu a dedicação de Broedel e Albernaz, com quem diz ter trabalhado nas últimas semanas “na reformulação da gestão da companhia”. Santos divide o conselho agora com apenas dois integrantes, definidos como independentes, Marcos Rocha e Roberto Dagnoni.

As ações do IRB entraram numa rota de queda na bolsa a partir de fevereiro, quando a gestora Squadra questionou a recorrência dos seus resultados. Enquanto foram questionados pelos investidores, o então presidente-executivo e o vice-presidente financeiro afirmaram ao mercado que Warren Buffett era investidor da companhia. Buffett desmentiu a informação e os dois executivos deixaram a resseguradora, que passou a enfrentar uma crise de credibilidade. Neste ano, as ações do IRB tiveram queda de 69,4%.

Em dois meses, outros três conselheiros já haviam renunciado: Ivan Monteiro, em fevereiro; Pedro Guimarães, presidente da Caixa, em março, já na crise do novo coronavírus, e a conselheira Maria Bidino, que havia renunciado semana passada.

Autor: Ana Paula Ragazzi
Referência: Valor Econômico