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Chapchap prega uma abertura inteligente

27 de abril 2020

Situação ainda vai piorar, diz diretor do Sírio

O médico Paulo Chapchap costumava usar um relógio que não precisa de corda nem de bateria. A energia era sempre armazenada pelo movimento do pulso. Até o dia 12 de março, quando, por falta de movimentação, a engrenagem parou. Há dias, ao olhar para o relógio parado que guardou na gaveta para que nada o impedisse de caprichar na higienização das mãos, o diretor do Hospital Sírio Libanês se deu conta do tempo em que já estamos na pandemia e sem nenhuma certeza de quando vamos sair dela ou deixar o isolamento.

Chapchap prevê que a maioria das cidades brasileiras ainda vai viver num cenário “muito difícil, muito sofrido e muito prolongado”. Ele não vê muita razão para otimismo. O que vem pela frente, além da mudança de hábitos e da intensa pesquisa científica em busca de uma vacina, é a perspectiva de retomada gradual da atividade. Mas, para Chapchap, todo cuidado é pouco nesse planejamento, para que a abertura seja inteligente. É preciso estabelecer, diz, que eventos, bares, shows e tudo o que cria concentração de pessoas, não poderão voltar nos próximos meses.

Na visão do médico, é preciso estabelecer, antes de tudo, que eventos, bares, shows e tudo o que cria concentração de pessoas, não poderão ocorrer nos próximos meses. Quanto às demais atividades, é preciso, diz, abrir por etapas. E entre uma etapa e outra, esperar ao menos 14 dias para verificar a quantas anda a ocupação hospitalar. “É preciso lembrar que o efeito de qualquer abertura só será sentido duas a três semanas depois”, afirma o médico, referindo-se ao período de incubação do novo coronavírus.

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Autor: Marli Olmos e Tatiana Schnoo
Referência: Valor Econômico