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Empresa americana anuncia resultados ‘positivos provisórios’ de vacina contra coronavírus

19 de maio 2020

Fase 1 de testes envolveu oito voluntários saudáveis que produziram anticorpos contra o vírus

A primeira vacina contra o novo coronavírus testada em humanos parece ser segura e capaz de estimular uma resposta imune, segundo anunciou a empresa americana de biotecnologia Moderna nesta segunda-feira (18).

Os resultados “positivos provisórios” são referentes aos oito primeiros voluntários que receberam a vacina experimental em duas doses.

Essas oito pessoas saudáveis, entre 18 e 55 anos de idade, produziram anticorpos que conseguiram impedir o vírus de se replicar em testes feitos em células humanas em laboratório.

Veja as vacinas que estão sendo desenvolvidas contra o coronavírus

Os níveis dos chamados anticorpos neutralizantes eram similares aos encontrados em pacientes que contraíram o novo coronavírus e se recuperaram.

Apesar de animadores, os achados não provam que a vacina funcione. Somente estudos maiores, de maior duração, poderão determinar se a imunização será capaz de impedir que as pessoas fiquem doentes por causa do novo coronavírus.

A vacina foi desenvolvida numa parceria entre o governo americano, o Instituto de Pesquisa em Saúde Kaiser Permanente, em Seattle (EUA) e a empresa Moderna. A imunização se baseia em trechos de RNA (molécula “prima” do DNA) que compõem o material genético do vírus.

O RNA viral da vacina contém a receita para a produção da chamada proteína S (de “spike” ou espícula, o gancho molecular usado pelo Sars-CoV-2 para se conectar às células humanas). Espera-se que, uma vez dentro das células, esse pedaço de RNA seja usado para iniciar a produção da proteína S, a qual, por sua vez, desencadeará uma reação de defesa do organismo. Quando o organismo entrar em contato com o vírus real, a esperança é que ele já esteja com anticorpos prontos para combatê-lo.

Tudo indica que a técnica é relativamente segura, mas resta demonstrar sua eficácia —até hoje, nenhuma vacina de RNA foi liberada para uso comercial.

Os testes começaram em 16 de março, na chamada fase 1 (que mede apenas a segurança). Mais dois grupos etários —55 a 70 anos e 71 anos para cima— estão sendo convocados para testar a imunização nessa primeira fase.

A Moderna afirma que está agindo para acelerar todo o processo. Uma segunda fase de testes deve começar em breve com 600 pessoas, e a terceira e última fase deve acontecer em julho com milhares de pessoas saudáveis. A FDA já deu sinal verde para a fase 2 no início deste mês.

Resultados preliminares em poucas pessoas podem não parecer muito, mas o mundo está desesperado por boas notícias. Com um vírus altamente contagioso que desafia a maioria dos esforços para controlar sua disseminação, vacinas são vistas como a melhor e talvez única esperança de parar ou reduzir o ritmo da pandemia que já deixou 5 milhões de pessoas infectadas, matou mais de 315 mil e paralisou economias.

A notícia animou Wall Street. Nos últimos meses, a ação da Moderna subiu, e já estava em alta de mais de 25% no meio da tarde desta segunda (18).

Dezenas de outras empresas e universidades também estão na corrida para criar vacinas, e muitas delas estão fazendo testes em humanos, incluindo a Pfizer e sua parceira alemã BioNTECh, a chinesa CanSino e a Universidade de Oxford, que trabalha com a farmacêutica AstraZeneca.

Especialistas concordam que é essencial desenvolver diversas vacinas ao mesmo tempo, porque a necessidade global urgente de bilhões de doses superará a capacidade de produção de qualquer empresa.

Ao mesmo tempo, existe uma preocupação de que a pressa possa comprometer a segurança, resultando numa vacina que não funcione ou, pior ainda, cause danos. Vacinas em geral levam anos, às vezes uma década ou mais, para ficarem prontas. Esta, porém, pode sair mais rapidamente do que outras.

Os dados dos testes preliminares ainda não foram publicados ou compartilhados publicamente, mas já foram entregues para a FDA (agência que regulamenta medicamentos nos EUA). A empresa disse que espera publicar os dados nos próximos meses.

Se os testes derem certo, a vacina poderá estar disponível no fim deste ano ou no início de 2021.

Referência: Folha de São Paulo