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Liberação de cloroquina dificulta pesquisas no Brasil

21 de maio 2020

Estudos sobre o uso da medicina em doentes com sintomas leves podem correr risco por falta de pacientes para os testes

A decisão de Jair Bolsonaro de mudar o protocolo e ampliar o uso da cloroquina para casos leves de Covid-19, formalizada pelo Ministério da Saúde, atropelou estudos da droga no Brasil —e pode dificultar o término das pesquisas que já estão sendo realizadas.

PLACEBO

O maior problema, segundo médicos e cientistas ouvidos pela coluna, será selecionar os pacientes ambulatoriais, que têm sintomas leves, para o grupo dos que não vão tomar o remédio.

MASSA

Como o medicamento está sendo recomendado pelo próprio governo, a possibilidade maior é a de que a grande maioria dos doentes já faça uso da cloroquina, mesmo que não tenha necessidade.

CONTROLE

A existência de dois grupos —um que toma a droga e outro que não faz uso dela— é fundamental para que os cientistas possam comparar os resultados e atestar, ou não, a eficácia do remédio.

NA ESTRADA

Um dos maiores testes que já estão sendo realizados com hidroxicloroquina em pacientes leves é o da Coalizão Covid-19, que reúne algumas das principais instituições hospitalares brasileiras. Ele está sendo feito no hospital Oswaldo Cruz.

NA ESTRADA 2

Até agora, o estudo já incluiu 26 pacientes —a meta é chegar a 1.300. Há outras pesquisas sendo feitas no país, como uma da Fiocruz, em Manaus.

Autor: Monica Bergamo
Referência: Folha de São Paulo