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Em abril, setor de saúde fecha mais de 2 mil vagas

08 de junho 2020

Com suspensão de procedimentos eletivos, hospitais relatam cortes de cargos administrativos e de análise laboratorial

As dificuldades impostas ao setor de saúde pela pandemia já se refletem no mercado de trabalho. Em abril, mês em que tradicionalmente há saldo positivo de geração de empregos no segmento, foram fechados 2.369 postos de trabalho, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Segundo fontes, os cortes atingem, principalmente, áreas administrativas de hospitais e laboratórios, além de cargos como técnico de enfermagem e de análises laboratoriais clínicas e de imagem.

Clovis Queiroz, coordenador-geral de Relações do Trabalho e Sindical da CNSaúde, confederação que representa hospitais, clínicas e laboratórios, destaca que, em abril do ano passado, o saldo positivo de criação de empregos no setor foi de 20 mil vagas.

– Esperamos números piores em maio, pois muitas clínicas estão fechadas e já esgotaram recursos de suspensão de contrato, férias e redução de jornada – diz.

As demissões, segundo executivos do setor, estão vinculadas à suspensão de procedimentos eletivos.

– Muitos hospitais não estão ganhando o suficiente nem para pagar os custos fixos, que ficam na casa dos 45% do faturamento. Se o quadro piorar, terão de cortar mais – afirma Breno Monteiro, presidente da CNSaúde.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decide hoje se manterá o adiamento do atendimento pelos planos de saúde de procedimentos que não sejam de emergência, como consultas, exames e cirurgias eletivas. A princípio, a medida expirava em 31 de maio, mas a diretoria decidiu prorrogar o prazo para nova avaliação. As operadoras defendem um retorno escalonado, de modo que o processo seja normalizado em outubro.

Para Patrícia Cardoso, coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon), da Defensoria Pública, o médico é que deve determinar se o paciente deve postergar um exame ou tratamento.

Autor: Luciana Casemiro
Referência: O Globo