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Ministério da Saúde recua e volta a divulgar íntegra de dados da Covid-19 após decisão do STF

10 de junho 2020

Mais cedo, ministro interino disse que as informações estariam em nova plataforma, mas site antigo voltou a funcionar com dados completos

O Ministério da Saúde voltou a divulgar na tarde desta terça-feira (9) as informações referentes aos dados acumulados de mortes e infectados pelo novo coronavírus no site http://covid.saude.gov.br. O retorno dos dados acontece um dia após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

A pasta não informou se a medida se dá em cumprimento à decisão do STF, mas o ministério retomou o formato de divulgação adotado até quinta-feira da semana passada e da forma como determinava a decisão do ministro Alexandre de Moraes, com o total de mortes e de casos da Covid desde o início da pandemia.

O Ministério da Saúde também voltou a divulgar número de casos e mortes nas últimas 24 horas, que tem como base a data de notificação. Nesse método, incluem-se as mortes em decorrência do novo coronavírus que aconteceram no último dia e também casos antigos que ainda aguardavam a confirmação.

O site, portanto, não adota a metologia que o Ministério da Saúde vem anunciando nos últimos dias, que levaria em consideração apenas as mortes ocorridas e confirmadas nas últimas 24 horas. Esse método resulta em número de mortes menores e deixa de fora óbitos de outros dias sem confirmação.

Em audiência nesta terça-feira na Câmara dos Deputados, o ministro interino, Eduardo Pazuello, havia dito que todas as informações referentes ao novo coronavírus estariam disponibilizadas em uma nova plataforma que será lançada nos próximos dias. Dessa forma, nem seria “obrigado a cumprir a decisão do STF”.

“Eu acredito que a colocação dos dados como estavam já está colocado no nosso BI [plataforma de Business Inteligence] em uma página onde aparecem os dados exatamente como estavam antes. Então, não vai precisar nem me obrigar a cumprir, já vai ser cumprido imediatamente.”, disse o ministro durante audiência na Câmara dos Deputados.

Desde sexta-feira da semana passada, os boletins diários deixaram de informar o acumulado de mortes e de casos confirmados da Covid, assim como a quantidade de óbitos em investigação. As informações também foram retiradas do site na ocasião.

Na noite de segunda-feira, Moraes determinou que o Ministério da Saúde retomasse a divulgação dos dados acumulados do coronavírus em até 48 horas. A decisão foi tomada ao analisar ação apresentada pela Rede Sustentabilidade, PSOL e PCdoB.

A mudança na divulgação de mortes e casos confirmados pela Covid-19 começou na quarta-feira (3). Naquela data, o Brasil registrou um recorde de mortes, chegando à marca de 1.349 novas mortes em 24 h e 28.633 novos casos.

Alegando um problema técnico, o Ministério da Saúde disse que o boletim do coronavírus seria divulgado excepcionalmente apenas às 22h, ou seja, após o fechamento das edições dos principais jornais diários e da emissão dos telejornais da noite.

No dia seguinte, o país bateu um novo recorde —1.473 óbitos em 24 horas, o que representava uma morte por minuto — e, pelo segundo dia seguido, o Ministério da Saúde atrasou a divulgação do boletim.

A divulgação às 22h se repetiu na sexta-feira, e o boletim daquele dia excluiu pela primeira vez o total de mortos e casos de infecção pelo novo coronavírus registrados desde o início da pandemia.

Ao longo do fim de semana, o ministério soltou três notas, com conteúdos divergentes. Na primeira, informou que o horário de divulgação às 22h seria necessário para analisar os dados vindos dos estados e fornecer um balanço fidedigno.

A pasta também anunciou que iria adotar uma nova metodologia para compilar os dados, tendo como base os números de mortes segunda a data do óbito, e não sua notificação, ao contrário do que faz a maioria dos países.

Nesta segunda-feira, no entanto, em um recuo por parte da pasta, o secretário-executivo Élcio Franco informou em entrevista que todos os dados a respeito do novo coronavírus estariam disponíveis na futura plataforma. No entanto, o coronel, número 2 do ministério, não deu detalhes sobre a continuidade dos boletins, quais informações conteriam, assim como não mencionou se o site atual traria de volta as informações que costumava apresentar.

Autor: Renato Machado e Talita Fernandes
Referência: Folha de São Paulo