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Filha de Braga Netto desiste de cargo na ANS

23 de julho 2020

Isabela teve seu nome aprovado pela Casa Civil, comandada por seu pai; vaga é de livre nomeação e tem salário de R$ 13 mil. Em nota, diretor de Desenvolvimento Setorial da agência “lamenta uso político do caso”

Isabela Oassé de Moraes Ancora Braga Netto, filha do ministro da Casa Civil, Braga Netto, desistiu de ocupar uma vaga na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Seu nome já havia sido aprovado pela Casa Civil, comandada pelo seu pai, mas faltava uma análise interna na própria ANS. A desistência foi comunicada ao Diretor de Desenvolvimento Setorial, Rodrigo Rodrigues de Aguiar, que seria seu superior na agência.

Isabel era cotada para a Gerência de Análise Setorial e Contratualização com Prestadores. A vaga é de livre nomeação, sem necessidade de passar por concurso público ou sabatina do Senado, e tem salário de R$ 13 mil. Caso fosse concretizada, a nomeação seria considerada nepotismo, de acordo com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ouvidos pelo GLOBO em caráter reservado.

Em nota, Rodrigo Rodrigues de Aguiar informou ter recebido ontem “a informação que a candidata desistiu de participar do processo de nomeação, embora tenha atendido todos requisitos os para o cargo”. No texto, ele afirmou que o processo seletivo “foi conduzido no âmbito da ANS, sem sofrer ingerências externas” e diz que a agência “não possui relação hierárquica ou vinculação com órgão da administração pública direta” e que, por isso, não é possível falar em nepotismo.

“Lamento profundamente o uso político do caso. O processo de nomeação expôs desnecessariamente autoridade do governo federal que possui conduta ilibada e ética ao longo de toda carreira profissional, servidores de carreira da própria ANS e particulares”, diz a nota.

Na terça-feira, a ANS havia informado, em nota, que existia “um processo para ocupação do cargo” e que “após realização de consulta à Casa Civil” o processo havia retornado para análise da diretoria de Desenvolvimento Setorial. Questionada sobre o caso, a Casa Civil não respondeu.

Isabela se formou em 2016 no curso de Design pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). No ano passado, candidatou-se a uma vaga temporária na 1ª Região Militar do Exército no Rio, mas não foi aprovada. Seu currículo não é divulgado em plataformas formais, como Lattes.

Exemplos como o de Isabela não são novidade no governo Bolsonaro. Antonio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, foi promovido de cargo no Banco do Brasil (BB) dias após aposse do novo governo, em janeiro de 2019.

Por outro lado, quando o ministro Luiz Eduardo Ramos decidiu assumir a Secretaria de Governo, em junho de 2019, sua filha, Patrícia Baptista Cunha, pediu licença não remunerada da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que estava vinculada à secretaria à época.

CORREÇÃO

Ao contrário do que foi publicado na edição de ontem, a nota sobre a indicação de Isabela Braga Netto para a ANS não foi divulgada pela Casa Civil, e sim pela própria Agência Nacional de Saúde Suplementar.

Autor: Daniel Gullino
Referência: O Globo