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70% dos fundos de previdência que sofreram na crise já reverteram perda; e mais da metade tem retorno positivo no ano

21 de agosto 2020

Planos de previdência tiveram mais resgates que aportes em março e abril, mas quem resgatou porque entrou em pânico perdeu chance de recuperação

No mês de março deste ano, quando o pânico decorrente da pandemia de coronavírus tomou conta dos mercados, os planos de previdência privada viram R$ 10,1 bilhões em resgates, contra R$ 7,7 bilhões em aportes, resultando em uma captação líquida negativa de R$ 2,4 bilhões.

Foi o mês com o maior valor de resgate e pior captação líquida no período de janeiro a maio, data dos últimos dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi). Em abril, a captação ainda foi negativa em R$ 1,5 bilhão, com aportes de R$ 4,9 bilhões e resgates de 6,3 bilhões.

Os planos de previdência evidentemente não passaram incólumes pela crise. Boa parte deles teve retornos negativos no período de março a maio. E quando falamos de investimentos onde as pessoas alocam suas reservas para a aposentadoria, é claro que isso assusta.

Porém, pelo seu foco no longo prazo, a previdência privada é justamente o investimento com maiores condições de se recuperar e atenuar os soluços do mercado com o passar do tempo. Deveria ser, portanto, o último a ser resgatado, ainda mais num momento de pânico.

É claro que muita gente pode ter resgatado a previdência no auge da crise por necessidade mesmo – mas aí, podemos questionar se a carteira dessas pessoas estava adequada ao seu perfil, uma vez que, antes de investir em previdência privada, é preciso ter, pelo menos, uma reserva de emergência.

Seja como for, tirando as pessoas que realmente precisavam do dinheiro e se viram sem alternativa se não sacar sua previdência privada, aqueles que entraram em pânico e resgataram assustados com os retornos negativos podem ter se convertido nos apressados que comeram cru.

Um levantamento da gestora de investimentos Magnetis que incluiu 1.016 fundos de previdência privada mostrou que 668 deles (65,75%) tiveram retorno negativo de 1º de março a 31 de maio, tendo sofrido, portanto, com a crise nos mercados.

Estamos falando, portanto, de fundos que têm alguma exposição a risco, não aqueles ultraconservadores, que praticamente só investem em Tesouro Selic e CDB de banco de primeira linha.

Destes 668 fundos, 464 – quase 70% dos que caíram na crise, portanto – conseguiram reverter a perda do período, obtendo retorno positivo de 1º de março até 29 de julho. E de todos os fundos que caíram na crise, 369 – ou 55,24% – acumulam retorno positivo em 2020.

Em outras palavras, a maioria dos fundos de previdência que sofreram com o pânico dos mercados por conta do coronavírus reverteu essa perda, e mais da metade já está no azul no ano. Quem não resgatou seus recursos, conseguiu recuperar.

Autor: Julia Wiltgen
Referência: Estadão on-line