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Robô Laura acompanhará a evolução de pacientes

06 de outubro 2020

O Hospital Mãe de Deus, de Porto Alegre, adotou a robô Laura, plataforma de Inteligência Artificial e tecnologia cognitiva, para gerenciar a evolução do quadro clínico dos pacientes. A ferramenta é disponibilizada pelo Grupo Fleury, dono das marcas Weinmann e Serdil no Rio Grande do Sul, a partir de uma parceria da companhia com a startup Laura. A solução usa parâmetros do prontuário do paciente – como sinais e sintomas -, tempo de internação e tipo de doença, e associa isso com os resultados dos exames laboratoriais. Essa combinação de dados cria uma predição de desfechos desfavoráveis, gerando alertas para as equipes médicas e possibilitando uma ação mais ágil.

“Essa solução gera um impacto assistencial relevante, especialmente dentro de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que geralmente tem muitos pacientes em estado grave e a agilidade da informação acaba sendo determinante”, relata a gerente sênior de Negócios B2B do Grupo Fleury, Aline Amorim. A solução foi desenvolvida pela startup Laura para atender os casos de infecção generalizada, a sepse, mas hoje já evoluiu e também sinaliza com antecedência outros casos de desfecho desfavorável, já que por meio da tecnologia é possível reduzir o tempo de espera para detecção de anormalidades. De acordo com o Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS), estima-se que a infecção generalizada atinja 15 a 17 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. No Brasil, são afetadas 600 mil pessoas anualmente, onde a taxa de mortalidade alcança 65%, enquanto a média mundial é de 30% a 40%. Aline comenta que a ideia do Grupo Fleury é adotar a robô em 29 instituições de saúde nas quais está presente. “A pandemia nos atrapalhou um pouco, já que os hospitais tiveram que se dedicarem muito ao tratamento da Covid-19, mas agora a tendência é irmos avançando”, revela. A efetivação da parceria faz parte do cronograma de aceleração da Central de Comando do Hospital Mãe de Deus, uma das ações de inovação do planejamento estratégico da instituição. Após realizar o processo de integração de sistemas, o que significou fazer o robô reconhecer o prontuário do hospital e aprender como a instituição funciona, a tecnologia está sendo utilizada em formato teste nas unidades de internação Covid-19 e na cirúrgica. “A vantagem da Robô Laura com relação a outros sistemas é que ele foi desenvolvido especialmente para que as instituições de saúde possam identificarem com antecedência os sinais de piora dos pacientes”, comenta o médico Marcius Prestes, gerente de fluxo do Hospital Mãe de Deus.

Ele conta que a solução é capaz de antecipar em até 12 horas o alerta de deterioração clínica. “A Inteligência Artificial procura problemas para evitar que eles aconteçam, e ao reduzir o tempo de identificação de casos de infecção generalizada e aumentar a velocidade de administração de antibióticos, pode ser essencial para salvar a vida de um paciente”, finaliza.

Autor: Patrícia Knebel
Referência: Jornal do Comercio RS