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Sob o comando de Marcelo Labuto, Santander redesenha sua área de seguros

07 de outubro 2020

Ao longo dos últimos meses, a área de seguros do Santander vem sendo redesenhada. Com investimentos aprovados na casa de R$ 100 milhões, a seguradora começa a apresentar agora ao consumidor opções com as quais pretende imprimir uma marca de inovação, uma “cara nova”. Para quem perdeu renda e o emprego por conta da pandemia, está lançando, por exemplo, o “Renda e Saúde”. O produto tem mensalidade de R$ 29,90 e inclui telemedicina do Hospital Albert Einstein e diárias que ajudam a suplementar a renda em emergências. Em caso de acidente e incapacidade temporária, são pagos R$ 50 por até 45 dias. Caso o segurado que não possa trabalhar seja internado, as diárias podem se estender por até 180 dias. Também há descontos para medicamentos, entre outros.

Essa reestruturação está nas mãos de Marcelo Labuto, que há um ano deixou o Banco do Brasil para assumir a diretoria de varejo do Santander, onde está há seis meses. O executivo, que fez carreira no BB e chegou a presidir o banco estatal entre outubro de 2018 e janeiro do ano passado, também estava à frente da BB Seguridade na época de sua abertura de capital. Junto na empreitada está Felipe Bottino, que comandava até junho o Pi, plataforma aberta de investimentos da instituição financeira, e assumiu a área de seguros.

“Viemos com a missão de poder redefinir a nossa área de seguros. O Santander tem um potencial incrível com uma base de clientes muito boa, com a maior parte formada por assalariados”, afirma Labuto, em entrevista ao Broadcast. A leitura, segundo ele, é de que a indústria precisa se reinventar e para isso é necessário tirar da prateleiras produtos “comoditizados”, e substituí-los por outros que sejam mais inovadores e que atendam à demanda do cliente.

“Aprovamos R$ 100 milhões de investimentos para o desenvolvimento da plataforma, distribuição e para tornar o processo mais fluido para novos produtos e já começamos a colher resultados”, afirma o executivo. Um dos produtos que foram lançados já com essa nova mentalidade, segundo ele, foi um seguro específico para profissionais de saúde, lançado no contexto da pandemia. Até aqui já foram 20 mil apólices para médicos negociadas. “Temos que dar respostas rápidas, entender o momento e entregar produto adequado à jornada do cliente”, afirma.

A área de seguro do Santander roda por meio da parceria, fechada em 2011, com a gigante suíça do setor Zurich, que tem validade de 25 anos.

Felipe Bottino comenta que por trás da área de seguros do banco está agora o uso de mais dados e a utilização cada vez mais intensa de tecnologia, algo que o executivo traz como bagagem de sua experiência da plataforma de investimentos do banco. É também a experiência vivida, segundo ele, de uma das empresas do Grupo Santander Brasil, o Autocompara, serviço de comparação de seguros para automóveis.

E o Santander, segundo ele, possui um ecossistema que será bastante favorável para esse caminho projetado, principalmente se tratando de diferentes canais de distribuição, dentre eles a Olé e Webmotors.

Com esse ecossistema à disposição, Labuto comenta que aquisições, a princípio, não estão sendo consideradas, apesar de fazer parte do dia a dia do negócio a análise de eventuais oportunidades. “Vamos otimizar nosso ecossistema”, comenta o executivo.

Bottino completa: “queremos liderar a indústria em que a gente atua”. E já prevê um prazo para isso – três anos.

Autor: Fernanda Guimarães
Referência: Estadão on-line