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Aliado da vida e da economia

12 de outubro 2020

O mercado segurador brasileiro tem mostrado novamente sua importância e resiliência, especialmente em tempos de crise, como a pandemia vivenciada globalmente em razão do novo Coronavírus. Tanto que, no Brasil, onde há um grande espaço para crescimento, já que a penetração de seguros ainda é baixa entre a população, em agosto último, no comparativo com o mesmo mês de 2019, o setor alcançou o melhor desempenho de todos os segmentos, segundo os dados mais recentes divulgados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Essa trajetória é explicada pelo presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), Marcio Coriolano. O executivo traça um paralelo entre o setor no Brasil e em países da Europa e os Estados Unidos, nos quais, por razões distintas, o mercado segurador possui maior penetração entre os cidadãos. “Na Europa, os países são mais antigos, com uma história mais longa, períodos de guerra e escassez muito grandes, além de catástrofes de diferentes tipos, que formaram no continente uma cultura de prevenção contra riscos. Assim, o sentimento de aversão a riscos na maior parte dos países europeus é forte, tanto nas pessoas quanto por parte do poder público. Já nos Estados Unidos, que é um país novo como o Brasil, a tradição é inversa, com pouco presença do poder público e forte liberdade individual, o que também leva a uma participação maior dos seguros”, esclarece.

No Brasil, de acordo com o executivo, não ocorreu ao longo dos tempos a formação de uma cultura securitária, o que pode ser explicado em parte pela ausência de longos períodos de guerra e de catástrofes naturais. E, embora esse quadro de pouca consciência em relação a

riscos já estivesse em reversão, por conta de uma maior conscientização sobre o tema, tanto a pandemia como os eventos ligados às mudanças climáticas podem ser impulsionadores do mercado de seguros no território nacional. “A pandemia veio reforçar no brasileiro o sentimento da necessidade do seguro, de finitude, de que as coisas não são permanentes e eternas. Mais do que isso, trouxe o verdadeiro exemplo do que pode ser um risco que afeta pessoas, famílias e empresas”, acredita Coriolano.

É esse contexto que explica a resiliência dos seguros nos últimos meses. Para o presidente da CNSeg, embora o setor tenha enfrentado dificuldades, especialmente no início da pandemia, se destacou entre outros ramos de atividades, uma demonstração de seu protagonismo.

Percepção

Executivos de grandes seguradoras em atuação no Brasil também avaliam a relevância do setor. Ângelo Colombo, CEO Latin América da Swiss Re Corporate Solutions, por exemplo, destaca que o propósito do setor de seguros é tornar o mundo mais resiliente. Para Colombo, “os seguros são os que realmente conseguem reestabelecer ou ao menos reparar as condições de quem antes tinha um bem ou um negócio”.

Marcos Centin Dornelles, CEO da Youse, faz ponderação semelhante e afirma que “o setor de seguros é fundamental para que as pessoas possam ter equilíbrio entre viver com tranquilidade e proteger a si, a família e os bens materiais”.

Na mesma linha, o presidente da Porto Seguro, Roberto Santos, observa que, embora a economia já tenha sido impactada pela pandemia, o contexto atual fez despertar nas pessoas a importância maior sobre proteção e segurança. Segundo o executivo, ainda há incertezas, mas uma procura maior por alguns produtos, como o seguro de vida. Santos acredita que “a questão do isolamento levou a uma maior preocupação com as residências, então nota-se também um aumento nas solicitações por serviços nos lares brasileiros”.

A percepção de que a pandemia trouxe à tona a imprevisibilidade e a fragilidade da vida é destacada também por Luciano Snel, presidente da Icatu Seguros, que pondera que “o cenário atual econômico e de saúde pública serviu como um gatilho emocional para que as pessoas se tornassem mais conscientes e reflexivas sobre a importância da proteção e do planejamento financeiro”.

Já para Helder Molina, CEO da MAG Seguros, “o mercado de seguros tem como missão oferecer tranquilidade para as pessoas em momentos difíceis”, o que é comprovado no período atual pelo aumento de demanda – de março a agosto últimos, no período da pandemia, a MAG Seguros registrou crescimento médio de 20%.

Dois ensinamentos principais dessa situação de crise são ainda avaliados pelo presidente da Tokio Marine, José Adalberto Ferrara. O primeiro é que, sem dúvida, a função social do seguro, de proteger a vida e o patrimônio de pessoas e empresas, ficou ainda mais evidente. “Sabemos que não há como reparar o dano emocional decorrente de um cenário de crise como este, mas é fundamental cuidar de quem sofreu uma perda e possibilitar a manutenção da atividade econômica. O segundo ensinamento foi perceber o quão atualizada tecnologicamente está a nossa indústria, mostrando a pujança do seguro em suporte ao crescimento do nosso país”, comemora Ferrara.

Referência: Folha de São Paulo (Informe Especial)