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Reajuste retroativo dos planos pode vir em 2021 (Especial – Summit Saúde Brasil 2020)

09 de novembro 2020

Valores não cobrados neste ano podem ser exigidos no próximo; ANS ainda decide

Em meio a um cenário de perda de beneficiários e queda no número de procedimentos na pandemia, os planos de saúde tiveram os reajustes suspensos até o fim de 2020. Mas o alívio para o bolso do beneficiário é temporário. Os aumentos retroativos devem ser cobrados em 2021. A Agência Nacional de Saúde (ANS), que regula o setor, ainda não definiu as regras, mas já deu sinais de que a cobrança atrasada deve chegar em parcelas.

Reduzir os custos e, com isso, os preços dos planos de saúde é um desafio de longo prazo. As incertezas dos dois lados são grandes. “Com o reajuste suspenso, há um valor acumulado a ser cobrado. Também vai ser feito o reajuste de quem mudou de faixa etária”, diz Alessandro Acayaba, presidente da Associação Nacional das Administradoras de Benefícios. “No cenário atual, não dá para saber se nossos custos vão aumentar ou baratear.” Os reajustes suspensos se referem à recomposição de custos das operadoras no ano de 2019.

A ANS determinou o congelamento após avaliar que as empresas tinham boa reserva. “No início da pandemia, houve apreensão por um possível aumento de custos.

Mas conseguimos dados com as operadoras, e elas estavam com folga financeira”, afirma Tatiana Aranovich, assessora da diretoria de Normas e Habilitação das Operadoras da ANS.

Uso. Os custos das operadoras caíram na pandemia pois as pessoas deixaram para depois procedimentos não urgentes, acionando menos os planos. “Foi por decisão dos pacientes e médicos. E já estamos tendo uma retomada. A sinistralidade está em 70%.

O efeito real a gente só vai entender quando tiver um ano fechado”, diz Vera Valente, diretora executiva da FenaSaúde, federação que reúne 16 dos maiores planos e seguros saúde do País.

Sinistralidade é a taxa de uso do sistema. Segundo Vera, a taxa média é de 85%, mas chegou a cair para 64%.

Para reduzir preços, uma das agendas da FenaSaúde é a oferta planos modulares, com uma cartela de serviços reduzida, o que depende de regulação menos rígida da ANS. “É preciso que o consumidor tenha mais opções, para avaliar sua necessidade versus capacidade de pagamento”, diz Vera. Até nos planos ambulatoriais, as operadoras têm de incluir um rol de serviços definidos pelo governo. “Entram imunoterapias, novas tecnologias, procedimentos oncológicos, tudo que eleva muito o custo.” A representante da ANS explica que um plano ou seguro de saúde deve prezar pela integralidade no cuidado. Também destaca que um incompleto poderia provocar problemas pelo que chama de “assimetria de informação”, a dificuldade de uma pessoa leiga entender as cláusulas contratuais ou de ter a capacidade de avaliar que serviço pode vir a precisar. “Como o beneficiário entenderia as diferenças entre os planos e as limitações? Para nós, o beneficiário tem de estar no centro”, afirma Tatiana.

Ela alerta que cartões com cotas de consultas ou serviços com mensalidade que servem exclusivamente para teleconsultas não são planos de saúde.

“Um plano tem de oferecer uma gestão completa da saúde.”

Reflexos.

Covid-19 levou pacientes a usar menos os planos para outras doenças

NÚMEROS

47 MILHÕES de brasileiros ainda mantém plano de saúde

136 MIL pessoas deixaram de ter plano de saúde desde março no País

85% EM MÉDIA é a taxa de sinistralidade, que é o uso do sistema

Autor: Luciana Alvarez
Referência: Estado de São Paulo