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Coronavírus: ocupação de leitos nas UTIs municipais chega a 95%, e procura na rede privada sobe 40%

13 de novembro 2020

Números preocupam médicos e especialistas, que acreditam que possa haver ainda uma segunda onda, como acontece na Europa; pesquisa mostra aumento de testes positivos nas UPAs da capital

RIO — Um carro encosta na calçada da Rua Conde de Bonfim, na Tijuca. O motorista desce e entra numa farmácia, onde pergunta a uma atendente se é possível fazer um teste rápido de Covid-19. Ela informa que não. “Olha aquela fila lá no fundo da loja, está todo mundo esperando, hoje não tem mais vaga”, explica. A cena, observada na manhã desta quinta-feira, retrata um momento em que o Rio, às voltas com um “novo normal” de praias totalmente liberadas, comércio aberto sem restrições e eventos autorizados, vê aumentar a procura por atendimento a casos suspeitos de coronavírus. Na rede municipal de saúde, por exemplo, a taxa de ocupação de leitos de UTI chegou a 95% na quarta-feira, com 239 pacientes internados, o maior número desde o início da pandemia, em março.

Após um período de estabilidade, a rede privada também observa uma tendência de alta na procura de pacientes com coronavírus. Diretor da Associação dos Hospitais do Estado do Rio, Graccho Alvim disse que a demanda nas emergências subiu 40% em três semanas. Porém, segundo ele, os casos que chegam às unidades são menos graves que os registrados no auge da pandemia.

— Um ou outro hospital está cheio, mas outros ainda têm capacidade muito grande de mudar esse panorama, caso haja necessidade. Sabemos também que esta é apenas a primeira onda. Ainda não enfrentamos a mutação no vírus que aconteceu na Europa. Eu acho, particularmente, que a segunda onda pode acontecer, e, neste caso, vamos precisar juntar as mãos, até por causa dos leitos dos hospitais de campanha que foram fechados — disse Alvim.

Autor: Arthur Leal e Letícia Lopes
Referência: O Globo