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Em duas semanas, ocupação de UTI para Covid em hospitais privados de SP foi de 55% para 84%

02 de dezembro 2020

Alta também é observada nas internações, mas especialistas pedem para que consultas e cirurgias não sejam adiadas

Em quase duas semanas, a taxa de ocupação dos leitos de UTI para Covid-19 em hospitais privados paulistas passou de 55% para 84%, um aumento de 29 pontos percentuais.

A alta também é observada nas internações em geral por Covid-19. Entre 16 e 19 de novembro, 44,5% de 76 instituições ouvidas apontaram alta das internações por causa da doença. Entre 23 e 26 de novembro, foram 79%. A sondagem é do SindHosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo).

Atualmente, esses hospitais estão utilizando 40% dos leitos de UTI para o atendimento da Covid-19.

Outro levantamento feito pela Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), que representa as principais instituições de excelência do país, também mostrou uma taxa de ocupação de 83,2% dos leitos destinados a pacientes com Covid-19 em 11 hospitais da capital paulista, entre 20 a 27 de novembro.

Hoje, do total de 31.885 leitos dessas instituições, 11% estão destinados exclusivamente para a Covid.

No país como um todo, a taxa de ocupação por pacientes infectados é de 74,7% em 33 instituições entrevistadas, e já aumentou um pouco em relação ao mês anterior (70%).

Dos 77.788 leitos operacionais desses hospitais, 14% estão dedicados aos pacientes da Covid.

Ambas as entidades afirmam que os hospitais associados possuem fluxos distintos de atendimento para casos de Covid-19 e que consultas, exames e cirurgias não devem ser adiados sob o risco de complicações posteriores.

As cirurgias e os procedimentos eletivos estão mantidos por 65% dos hospitais ligados ao SindHosp. Do total, 67% dizem ter capacidade de aumentar o número de leitos para Covid-19 caso seja necessário.

Segundo Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, a manutenção dos atendimentos eletivos indica que, por enquanto, é possível manter com cautela essa assistência eletiva porque, além da seguranças dos fluxos diferenciados, os hospitais dizem que podem ampliar leitos para Covid, se necessário.

“O adiamento de cirurgias e atendimentos eletivos traz grandes consequências no agravamento de doenças, especialmente as crônicas, como câncer, doenças cardiovasculares e neurológicas, e pode contribuir para o aumento de mortes”, diz Balestrin.

Para ele, faltou o papel do poder público na contenção da pandemia. “Aglomerações estão acontecendo e nada é feito. Os governos têm poder para coibir abusos e não deixar a doença evoluir. Com o aumento das internações nas últimas semanas, o efeito negativo acaba recaindo sobre os hospitais.

Autor: Claúdia Collucci
Referência: Folha de São Paulo