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Taxa de ocupação de leitos de UTI na rede privada do Rio é de 98%

02 de dezembro 2020

Capital quase não possui mais vaga de terapia intensiva em hospitais particulares e tempo de atendimento nas emergências no fim de semana chegou a cinco horas

RIO — A falta de leitos para atender pacientes graves com Covid na cidade do Rio não atinge apenas a rede pública de saúde. Segundo Graccho Alvim, diretor da Associação de Hospitais Privados do Estado do Rio, a taxa de ocupação em leitos de UTI na cidade do Rio é de 98% O médico alerta que poucas são as unidades na região metropolitana que ainda possuem algumas poucas vagas de terapia intensiva:

— Em leitos de UTI estão todos praticamente ocupados. Precisamos pensar de alguma maneira na abertura de novos leitos, mas sozinhos, sem o apoio do poder público não há condições. Na região metropolitana ainda há alguns leitos disponíveis em Niterói e São Gonçalo, por exemplo — comenta.

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Segundo o diretor, alguns pacientes que possuem planos que não conseguem vagas na unidade que procuram, entram em uma fila de espera para uma transferência:

— Estamos com transferência entre as unidades e redes também. Muitas das vezes ele chega a determinado hospital, o plano dele não tem vaga naquela unidade e ele precisa ser transferido e entra numa fila. Tudo isso é um complicador. O paciente em UTI fica um tempo muito grande usando o leito, o que diminui a rotatividade — afirma.

Alvim explica que a procura por atendimento nas emergências privadas também cresceu muito nas últimas duas semanas. Neste fim de semana, houve unidades que tiveram um tempo médio de espera de quatro a cinco horas:

— Ficou claro que não é o verão que vai matar o vírus. Sabíamos que teríamos uma alta de casos, mas a velocidade é que surpreendeu um pouco. Não sei qual a saída viável econômica para ampliar a oferta de leitos, mas uma ideia de esqueleto em uma parceria seria juntar a facilidade de contratação de RH dos entes privados com os equipamentos da rede pública — comenta.

Em São Paulo, um levantamento realizado pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) aponta um aumento de 29 pontos percentuais na taxa de ocupação de leitos de UTI por Covid-19 no estado. De acordo com os dados, o salto passou de 55% para 84%. Já a taxa de ocupação de enfermarias atingiu 63%.

Autor: Felipe Grinberg
Referência: O Globo