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LGPD, home office e ataques de hackers estimulam Seguro de Riscos Cibernéticos

15 de dezembro 2020

As empresas recorrem cada vez mais ao Seguro de Riscos Cibernéticos no Brasil. No acumulado de janeiro a setembro, o volume de prêmios do seguro para cobertura de Cyber Risks cresceu 72,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, somando R$ 27 milhões. A indústria de seguros tem acompanhado de perto o crescimento dos ataques cibernéticos, levando a um incremento considerável do portfólio de algumas companhias de seguros nos últimos 18 meses. O tema é tratado na coluna Destaque do Segmento de Danos e Responsabilidade da Conjuntura CNseg nº 34.

A entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e as crescentes tentativas de invasão de sistemas, com risco de perdas milionárias, têm estimulado o interesse das empresas. Também o regime de home office adotada pelas empresas neste ano e a digitalização de processos operacionais ampliaram o perímetro suscetível a ataques. Esse cenário reforça a necessidade de proteção e, em consequência, implica na aquisição da cobertura do seguro. Até porque um único evento pode acionar o seguro em efeito cascata, de acordo com os tipos de danos acarretados.

Cada vez mais, os criminosos virtuais intensificam ataques de phishing e de engenharia social, usando apelos urgentes para atrair cliques em links maliciosos. Em caso de sinistro, as seguradoras atuam com os prestadores de serviço para minimizar os danos que podem ocorrer por conta do vazamento de dados e/ou tentativas de extorsão. A extensão dos danos varia de riscos operacionais e perdas de informações a prejuízos financeiros, além de possíveis abalos na imagem das companhias.

“A LGPD ampliou a responsabilidade das empresas no sentido de criar políticas de proteção de dados e também de nomear responsáveis, tais como o Encarregado de Dados, para que esses planos sejam implementados. O seguro Cyber tem sido visto como um respaldo adicional para reforçar as políticas de proteção de dados e o plano de continuidade de negócios das companhias”, explica Flávio Sá, coordenador da Subcomissão de Linhas Financeiras da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais).

As tentativas de golpes de ransomware, com o sequestro de dados do computador e promessa de liberação apenas com o pagamento de resgate estão ligadas diretamente à adoção do home office. “O crescimento dos índices de ransomware mostram que essa forma de golpe digital está se tornando mais lucrativa e eficaz. E, ao lado de tentativas de phishing, os bandidos já perceberam que o dinheiro “de verdade” está nos ataques a redes corporativas, que podem ser muito mais eficazes e destruidores do que aqueles voltados aos usuários comuns”, explica.

Referência: CNseg