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Crescimento de planos de saúde também se deve a novos conceitos, avalia gestora

02 de fevereiro 2021

Um dos setores que cresceram durante a pandemia, foi o de assistência médica hospitalar.

Sem emprego formal após o restaurante em que trabalhava ser fechado por conta da crise causada pela pandemia da Covid-19, a designer gráfico brasiliense Isabela Araújo, 28 anos, abriu uma empresa individual, e em junho de 2020 passou a fazer trabalhos temporários. Apesar da insegurança financeira por ter se tornado empresária de forma não planejada, o medo de ser contaminada pelo coronavírus levou a jovem profissional a tomar mais uma decisão de forma rápida: contratar um plano de saúde. “Escolhi uma opção de plano com valor mais baixo, e contratei como microempreendedora individual. Não foi fácil decidir, pois é mais um compromisso mensal nas contas, mas senti que não poderia ficar sem assistência em um período tão complicado na área de saúde”, explicou.

O caso de Isabela não é isolado. Entre outros setores que cresceram – e lucraram – durante a pandemia está o de assistência médica e hospitalar. Conforme dados preliminares, apresentados recentemente pela Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), as operadoras tiveram, nos três primeiros trimestres de 2020, resultados 66% maiores do que no mesmo período de 2019, que foi de R$ 9 bilhões de lucro.

A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) confirmou o aumento no número de usuários, destacando que, “segundo diferentes pesquisas, o acesso a um plano de saúde é apontado como o terceiro maior desejo da população, ficando atrás somente de moradia própria e educação.

A Abramge afirmou, ainda, “que o cenário econômico do país é o principal ponto de atenção na variação do número de beneficiários do sistema de saúde”. Agora é esperar os resultados do setor no terceiro trimestre de 2020, para saber se a crise econômica diminuiu o número de usuários da saúde suplementar, ou se o medo da Covid-19 impulsionou, ainda mais, o crescimento dos planos.

Setor criou alternativas

Os reajustes anuais e por mudança de faixa de idade foram suspensos, entre setembro e dezembro de 2020, devido à pandemia, por determinação da ANS, e estão sendo cobrados em 12 parcelas a partir do mês de janeiro. É possível, portanto, que as operadoras façam a cobrança de dois reajustes anuais, dependendo da data-base.

Prevendo um cenário desfavorável, com possível evasão de beneficiários e até mesmo aumento da inadimplência, muitos planos estão se reinventando e criando novos produtos e condições especiais, a fim de reter os beneficiários existentes e aumentar a carteira de clientes, como é o caso da Saúde Sim, uma das maiores operadoras que atuam no Distrito Federal.

De acordo com Marina Santa Rosa, diretora administrativa da empresa, o departamento comercial está atuando fortemente em busca de opções para atrair os clientes. “Estamos ofertando planos com coparticipação, que oferecem descontos de, em média, 20% nas mensalidades, e o usuário paga um percentual quando utiliza consultas, exames e procedimentos. Nos casos mais complexos, que são de internação, por exemplo, não há cobrança de coparticipação, o que já é uma grande vantagem para o beneficiário”, explica a diretora.

Outra alternativa apontada por Marina é o downgrade de produto. “É uma alteração do padrão de cobertura do plano de saúde para níveis mais simples, com a consequente redução do valor da mensalidade”, diz.

Vantagens para clientes empreendedores e gestão eficiente

Outra característica do cenário econômico de crescimento do desemprego é um crescimento no número de microempresas. Os planos oferecidos pela Saúde Sim para microempreendedores e empresários individuais podem chegar a 40% de desconto em relação aos valores dos produtos coletivos por adesão. A diretora destacou, ainda, que mudanças na gestão da empresa permitiram os avanços que vem ocorrendo, em relação ao crescimento do número de usuários. A parceria da Saúde Sim com a Execut Med, empresa especializada em gestão de saúde, foi uma dessas inovações. Focada no aprimoramento de processos e tecnologia aplicados em soluções efetivas e reais, a Execut Med garantiu muitos resultados satisfatórios para a Saúde Sim.

Luciana Rodriguez, CEO da Execut Med, que tem uma trajetória à frente de diversas operadoras e empresas de saúde, avalia que 2020 foi um ano de quebra de paradigmas na Saúde Sim, e diz acreditar que o novo modelo de gestão irá permitir ainda mais crescimento à Operadora. “Esse aumento geral no número de usuários de planos se deve ao cenário trazido pela Covid-19, mas também às ações de gestão que as operadoras tomaram diante de uma nova realidade”, afirma.

Na Saúde Sim, a Execut Med realizou gestão dos beneficiários, negociação e contratualização de rede credenciada, implantação de novos modelos de remuneração, reestruturação de processos de auditoria hospitalar prévia e implantação de programas de prevenção e promoção da saúde, entre outros serviços, que de acordo com membros da diretoria, têm garantido resultados positivos e otimismo diante do futuro.

Luciana destacou, ainda, inovações recentes dos planos da Saúde Sim, como o acompanhamento dos pacientes internados com Covid-19, e a ampliação de serviços de atenção aos pacientes oncológicos, como controle e distribuição dos medicamentos quimioterápicos orais em domicílio

Planos de saúde no Brasil

Cerca de 47 milhões de pessoas possuem plano de saúde privado no Brasil, nas modalidades individual ou familiar, coletivo empresarial e coletivo por adesão. Os consumidores se dividem entre pessoas físicas, que contratam o plano por conta própria, e pessoas jurídicas, para as quais o plano é um benefício oferecido aos empregados.

Referência: A Gazeta