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Lucro da Caixa cai 37,5% em 2020, para R$ 13,2 bilhões

19 de março 2021

Já crédito imobiliário cresceu 28,6%

A Caixa Econômica Federal teve lucro líquido de R$ 13,2 bilhões em 2020, uma queda de 37,5% em relação ao ano anterior, quando o banco estatal lucrou R$ 21 bilhões. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (18). No quarto trimestre, o lucro foi de R$ 5,7 bilhões, avanço de 15,8% em relação ao mesmo período de 2019.

A queda no lucro é resultado de uma piora na chamada margem financeira (principal receira do banco, obtida com operações de crédito), que caiu 27,2% na comparação anual, para R$ 39,7 bilhões. No quarto trimestre a margem alcançou R$ 10,6 bilhões, alta de 11,6% em relação ao observado de julho a setembro do ano passado.

Outro fator que influenciou nos resultados do banco foram o maior volume de reservas contra calotes como forma de conter os impactos advindos da pandemia de coronavírus. Essas reservas alcançaram R$ 11,1 bilhões em 2020, aumento de 3,4%. No quarto trimestre, as provisões alcançaram R$ 2,6 bilhões, alta de 63,9% em comparação a igual período de 2019.

Em relação à carteira de crédito, a Caixa totalizou R$ 787,4 bilhões em 2020, aumento de 13,5% em relação ao ano anterior. No ano, o banco concedeu R$ 116 bilhões em financiamentos imobiliários, aumento de 28,6% na mesma base de comparação.

As contratações com recursos SBPE praticamente dobraram, totalizando R$ 53,7 bilhões, um crescimento anual de 99,5%.

Em janeiro deste ano, Pedro Guimarães, presidente da Caixa, havia indicado que o lucro do banco em 2020 poderia ser recorde, devido ao crescimento do crédito imobiliário. O movimento, porém, não se concretizou.

A carteira de pessoas jurídicas foi a que mais cresceu, com salto de 83,7%, para R$ 70,9 bilhões. O resultado conta com os empréstimos cedidos no âmbito do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), que somaram R$ 16,4 bilhões.

O crédito para pessoas físicas subiu 10,5%, para R$ 90,4 bilhões, enquanto as concessões voltadas para saneamento e infraestrutura registraram alta de 7,7%, para R$ 90,5 bilhões, e o crédito rural subiu 43%, para R$ 7,7 bilhões.

Com o pagamento de programas sociais e de transferência de renda, que totalizaram R$ 362,9 bilhões em 2020 pagos a mais de 121,3 milhões de brasileiros, a Caixa atingiu a marca de mais de 105 milhões de contas digitais abertas no Caixa Tem, totalizando 145,8 milhões de clientes pessoas físicas e jurídicas.

No último trimestre de 2020, o número de empregados da Caixa caiu de 84.290 para 81.945. Em 2020, o banco teve apenas uma agência a menos em relação a 2019, totalizando 3.372.

A perspectiva para 2021 é que haja o encaminhamento da listagem da Caixa Seguridade na Bolsa de Valores e a venda das ações que detém no Banco Pan. As duas operações ainda estão em análise pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A previsão também é que o braço de gestão de recursos de terceiros (asset management) do banco seja listado no segundo semestre deste ano. Guimarães também planeja abrir capital do Caixa Tem até o começo de 2022 tanto no Brasil como em uma Bolsa no exterior.

“Em novos negócios estamos avançando com o banco digital e estamos apenas esperando a aprovação do Banco Central”, afirmou o executivo em entrevista a jornalistas nesta quinta (18).

RAIO-X DO CAIXA NO 4º TRIMESTRE DE 2020

Lucro líquido – R$ 5,7 bilhões

Carteira de crédito – R$ 787,4 bilhões

Margem financeira – R$ 10,58 bilhões

Funcionários – 81.945 colaboradores

Principais concorrentes – Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander

Autor: Júlia Moura
Referência: Folha de São Paulo