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Operadoras recomendam adiamento de cirurgia eletiva

31 de março 2021

Nota da ANS, no entanto, diz que procedimentos estão mantidos, apesar de a prioridade ser a Covid

Diante do recrudescimento da pandemia no país, operadoras de planos de saúde comunicaram a médicos e usuários a suspensão temporária dos procedimentos eletivos. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), no entanto, afirma, em nota técnica, que os prazos para realização de cirurgias e exames estão mantidos, apesar de o atendimento aos casos graves de coronavírus ser prioridade.

Segundo a ANS, a suspensão de cirurgias eletivas não é a melhor medida para ampliar leitos para tratamento de pacientes com a Covid-19.

A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) defende a suspensão imediata de procedimentos adiáveis nas regiões críticas do país, onde os insumos necessários para o atendimento estão escassos e a rede hospitalar se encontra sobrecarregada.

– Os nossos esforços agora são para conseguir vagas e leitos para os doentes de Covid-19. A situação da rede privada é muito grave em São Paulo, Brasília e Rio. Enquanto isso, recebemos pedidos para realização de cirurgia bariátrica – afirma – Marcos Paulo Novais, superintendente executivo da Abramge.

Denúncia à ANS

Para Bruno Sobral, secretário executivo da Confederação Nacional da Saúde, o adiamento de um procedimento deve ser avaliado pelo médico:

– Há lugares no país em que dá para fazer algumas cirurgias eletivas. Em outros, não dá para fazer nada, por causa da ocupação de pacientes com Covid. A situação da pandemia é dispare nas regiões do país, e uma suspensão nacional, como ocorreu no ano passado, não seria adequada.

Francisco Morato, presidente da Federação dos Hospitais, afirma que redes de prestadores de serviço devem ter independência para decidir sobre a realização de um procedimento em suas dependências.

– Não temos só Covid no Brasil. Há pacientes cardiopatas, oncológicos, que precisam de tratamento. Não se pode colocar em risco a vida do paciente ou agravar sua saúde.

Ana Carolina Navarrete, coordenadora do Programa de Saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idee), afirma que, ao suspenderem procedimentos unilateralmente, as operadoras ultrapassam suas atribuições:

– O que estamos vendo são as operadoras dizendo que estão suspendendo mesmo com a AN S dizendo que não é para suspender. O usuário que tiver o procedimento negado ou não respondido no prazo deve denunciará ANS.

As operadoras que se anteciparam nas suspensões agora dizem que apenas “recomendam” o adiamento dos procedimentos. Após a nota técnica da ANS, a Unimed-Rio declarou que “recomenda que as cirurgias eletivas agendadas e que possam ser postergadas sem prejuízo à saúde do paciente, sejam suspensas até que a situação volte à normalidade”. Já a Amil afirmou que havia suspendido, entre 24 e 26 de março, as autorizações para cirurgias eletivas e exames eletivos realizados em ambiente hospitalar. No entanto, as autorizações foram retomadas no último sábado.

Já o Grupo NotreDame Intermédica diz que está priorizando atendimentos de pacientes graves de Covid-19 e de pessoas em tratamentos que não podem ser interrompidos ou adiados, como parto, oncologia e traumas, entre outros.

Autor: Pollyanna Brêtas
Referência: O Globo