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Caixa Seguridade mira IPO de R$ 5,7 bi

07 de abril 2021

Apesar de 18 empresas terem adiado ida à Bolsa em 2021, seguradora decide enfrentar o cenário desfavorável para aberturas de capital

A Caixa Seguridade, braço de seguros da Caixa Econômica Federal, definiu os preços indicativos para suas ações na abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) prevista para este mês. A faixa vai de R$ 9,33 a R$ 12,67 por ação. Se a oferta sair no topo do preço, a empresa pode levantar até R$ 5,7 bilhões.

O avanço do IPO da Caixa Seguridade ocorre a despeito do ambiente da maior aversão às estatais no Brasil diante de episódios de interferência do governo Bolsonaro em companhias como Petrobrás e Banco do Brasil. Nesse sentido, a estratégia da companhia, que vem monitorando o humor mercado de mercado, é vender uma fatia menor na oferta base.

A ideia da Caixa, dona da holding, é oferecer somente 15% do negócio, e ainda um lote adicional. Antes, cogitava-se 30%. Mais adiante, com a companhia já listada, o banco poderia fazer uma oferta secundária, o chamado follow-on, conforme antecipou o Estadão/Broadcast.

Conforme mostrou reportagem do Estadão, várias empresas estão desistindo de abrir o capital neste momento, por conta do avanço da covid-19 e também do aumento dos ruídos políticos, que acabam atrapalhando a economia. Neste ano, 18 empresas já anunciaram que vão adiar o IPO.

Enquanto se preparava para abrir capital, a Caixa Seguridade conseguiu entregar o que prometeu aos investidores no passado, o que pode ajudar a conter o cenário mais adverso para estatais. Na última quarta-feira, anunciou a conclusão de mais duas parcerias. Uma com a já sócia francesa CNP Assurances, na área de consórcios, e outra com a brasileira Icatu, em capitalização.

O movimento encerra um processo de reestruturação da operação de seguros da Caixa que rendeu R$ 10 bilhões ao banco público a partir da venda da exclusividade de seu balcão a companhias nacionais e estrangeiras. Além de cinco joint ventures com seguradoras, estruturou uma corretora de seguros 100% própria.

Além de vender uma fatia menor na Bolsa neste momento, o banco também quer lotar a operação, aproveitando o crescimento no número de investidores na Bolsa diante do cenário de juros baixos.

O objetivo é distribuir, ao menos, 50% do IPO para investidores pessoas físicas. A operação também deverá contar com uma ajuda dos funcionários da instituição, que poderão comprar ações, fora o segmento private, aqueles dos mais ricos.

Valor de mercado. No passado, a oferta da Caixa Seguridade era estimada em R$ 15 bilhões, e o objetivo do banco público era avaliá-la entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões. Agora, esse deve ser o patamar a ser alcançado nos próximos anos, após a listagem em Bolsa. Se esse patamar for atingido, o negócio se equipararia à BB Seguridade, que vale R$ 49,5 bilhões na B3, a Bolsa paulista.

O IPO da Caixa Seguridade foi paralisado em meio à pandemia, em 2020, e retomado este ano. Em sua nova tentativa de se listar na Bolsa, a companhia protocolou o pedido à CVM no início de março.

A operação está sendo estruturada pela própria Caixa, ao lado de Morgan Stanley, Bank of America, Itaú BBA, Credit SuisseeUBS/BB.

Nova estratégia

15% será o total de ações vendido em Bolsa neste momento; inicialmente, a ideia era oferecer até 30% do negócio na operação

Autor: Aline Bronzati
Referência: Estado de São Paulo