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Pandemia eleva em 11% a busca por seguro de vida

17 de maio 2021

Em meio às incertezas trazidas pela pandemia, a demanda dos brasileiros pela contratação de seguros de vida vem aumentando. De acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia que reúne dados do setor, a receita da venda de seguros de vida no país aumentou em 11,3% no ano passado, sendo a maior alta do segmento de seguros de pessoas. O crescimento se mantém neste ano, com o primeiro trimestre de 2021 registrando alta de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“A pandemia causou maior preocupação nas pessoas. Agora, elas pensam: ‘posso adoecer a qualquer momento, como vou ficar?’ Por isso, temos percebido esse avanço na procura por seguros de vida”, explica a economista e educadora financeira Juliana Barbosa.

O presidente do Sindicato dos Corretores de Seguro da Bahia (SincorBA), Wanderson Nascimento, afirma que, além da pandemia, a modernização dos seguros de vida também contribuiu para o crescimento das contratações, já que os produtos estão atendendo a cada vez mais necessidades. “Há seguros que oferecem auxílio por invalidez, resgate de parte do valor caso não haja utilização e até assistência para animais domésticos”, diz.

A ampliação das funções também é apontada por Karina Massimoto, superintendente de seguros de vida da seguradora Brasilseg, empresa que registrou crescimento de 15% em sua receita gerada pelo segmento. Ela conta que houve uma renovação dos produtos no ano passado, focando na melhora da qualidade de vida dos clientes. As opções envolvem coberturas para doenças graves, orientações psicológicas e nutricionais, consultas médicas, mapeamento genético, entre outras.

“Acreditamos que o crescimento se deu por essa mudança em nossos produtos, olhando a vida como o principal patrimônio. Focamos em como poderíamos ajudar nossos clientes a viver mais e melhor”, afirma Karina.

Além disso, a Brasilseg constatou um aumento de 205% na venda de seguros para pessoas entre 18 e 20 anos em janeiro deste ano na comparação ao mesmo período do ano passado, apontando crescimento na demanda do público mais jovem. “Hoje vemos muitos jovens financeiramente independentes e que ajudam os familiares. Possíveis acidentes ou doenças podem afetar aquela família, e vejo uma consciência maior nesse sentido”, explica Karina.

O ano também foi favorável para novos negócios. Vendo potencial no mercado e interesse dos clientes, o banco digital Nubank decidiu entrar no setor, lançando em dezembro de 2020 o Nubank Vida. Eles oferecem a contratação de seguros de vida de forma 100% digital e com preço médio inicial a partir de R$ 9,00. Em três meses, o banco chegou a registrar mais de 100 mil contratos ativos.

“O cenário de pandemia do novo coronavírus pode ter potencializado a busca por esse tipo de segurança. Entendemos que esse movimento de alta procura, contudo, irá se sustentar no longo prazo a partir da experiência do cliente e na acessibilidade a este serviço”, diz o Nubank.

15% dos brasileiros O consultor imobiliário Antonio Caria,45, é um dos que acreditam nas vantagens do seguro de vida. Pai de trigêmeos, Caria já possui dois seguros diferentes, um para invalidez e outro para doenças, mas hoje está à procura de uma opção que ofereça todos os benefícios no mesmo produto. “Meu maior intuito é, em caso de invalidez, deixara minha família bem. A gente nunca sabe o dia de amanhã, e quero deixar meus filhos bem estruturados”, diz ele.

Mesmo oferecendo benefícios, o seguro de vida ainda não é um produto popularizado no Brasil. Uma pesquisa realizada em 2019 pela seguradora independente Prudential do Brasil, em parceria com o Ibope, aponta que apenas 15% dos brasileiros possuem seguros do tipo.

Apesar disso, especialistas em finanças afirmam que um seguro de vida é essencial. “Muitas pessoas imaginam apenas casos de morte, mas o seguro de vida deve fazer parte do planejamento financeiro. Estar protegido contra imprevistos é fundamental para ter finanças organizadas”, afirma Juliana Barbosa.

Um dos empecilhos para a contratação pode ser o custo, já que muitos consideram o seguro de vida um gasto desnecessário. Mas 0 consultor financeiro Antônio Carvalho argumenta o contrário. “A ideia de morte ou de invalidez não costuma passar pela nossa cabeça, mas isso não impede que imprevistos ocorram. Apesar da sensação de perda de dinheiro, ter um seguro e nunca precisar sempre será melhor do que precisar e não ter.”

Carvalho afirma, ainda, que o valor recebido ao acionar os seguros compensam os custos e são mais vantajosos que aplicações financeiras ou poupanças. Já Juliana lembra que, quanto mais cedo 0 seguro for feito, menos se pagará por ele, já que os riscos serão menores.

Outro ponto destacado é a variedade do mercado. “Existem opções mais populares, com preços acessíveis e que dão benefícios como a realização de consultas e exames para quem não tem condições de pagar uma assistência médica. As coberturas variam para cada tipo de bolso”, diz Juliana.

Wanderson Nascimento, do SincorBA, reforça que adquirir seguros de vida não é algo complexo ou caro, principalmente levando em conta outras contratações do tipo. “Fala-se muito em seguros de carros, celulares e outros bens materiais. Já o seguro de vida é algo mais raro de aparecer, mas é preciso lembrar que ele não é só para você, mas também para quem você ama”, diz.

Autor: Marcelo Azevedo
Referência: Jornal A Tarde