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Previ, o bilionário fundo de pensão do BB, escolhe novo presidente

10 de junho 2021

Daniel Stieler fez carreira no banco e cuidava de instituto de seguridade da Nossa Caixa, banco adquirido pelo BB em 2009

O conselho deliberativo da Previ, o bilionário fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, aprovou nesta quarta-feira (9) a indicação do contador Daniel Stieler como seu novo presidente. Ele substituirá José Maurício Pereira Coelho, que deixa o comando do fundo nesta sexta-feira (11).

A posse, no entanto, dependerá de aprovação da Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), o regulador dos fundos de pensão. Essa exigência vigora desde 2017 e exige emissão de um atestado de habilitação para cargos na diretoria executiva e nos conselhos deliberativo e fiscal da Previ.

Stieler é graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Santa Maria (RS) e possui pós-graduações em Administração Financeira e Auditoria, ambas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e MBA em Contabilidade, pela Universidade de São Paulo (USP).

Ele entrou no Banco do Brasil na década de 1980 como menor aprendiz e fez carreira na instituição. Já foi assessor, gerente de núcleo e gerente de divisão na Diretoria de Contabilidade. Também foi gerente executivo na Diretoria de Contadoria e diretor de Controladoria.

Desde janeiro deste ano, comandava o Economus, instituto de seguridade social da Nossa Caixa, instituição adquirida pelo BB em 2009 e que não foi incorporada pela Previ. Stieler passou por todos os cargos no instituto, antes de assumir como diretor-superintendente.

Na Previ, foi conselheiro fiscal entre 2012 e 2016. No Banco Votorantim, além de conselheiro fiscal, foi membro do Conselho Consultivo. Também foi membro da Comissão de Assuntos Contábeis de Instituições Financeiras da Febraban durante 10 anos.

A troca de comando na Previ reflete mudanças na política imposta por Jair Bolsonaro nos dois bancos estatais, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Na Caixa, Pedro Guimarães, entrega um conjunto de medidas que favorecem politicamente o presidente. Mas no BB, o comando resistia a um alinhamento com o Planalto.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, que antes indicava nomes nas estatais ligadas à sua pasta e conduzia a economia com autonomia, perdeu espaço e não conseguiu colocar no BB um nome seu depois do pedido de renúncia do executivo André Brandão.

No final de março, Bolsonaro escolheu Fausto Ribeiro, tido como bolsonarista entre executivos do BB.O processo foi visto pelo mercado como interferência de Bolsonaro, que culminou com a renúncia de dois membros do conselho de administração do BB.

Em 25 de maio, foi a vez da renúncia do presidente da Previ, José Maurício Pereira Coelho. O mandato do executivo venceria em maio de 2022.

Na Previ, a avaliação foi de que José Maurício, como o executivo é conhecido, vinha sendo pressionado a deixar o cargo para abrir vaga para acomodar aliados do governo. Ele ficou três anos à frente da Previ e tinha ainda um ano de mandato pela frente.

Autor: Julio Wiziack
Referência: Folha de São Paulo