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Startup chilena Betterfly recebe aporte de US$ 60 milhões e chega ao Brasil

16 de junho 2021

Com investimento do SoftBank, empresa mistura seguro pessoal e plataforma de bem estar

A startup chilena de seguros Betterfly anuncia nesta quarta, 16, a chegada ao Brasil após um aporte de US$ 60 milhões. O investimento contou com nomes de peso, como DST Global, QED Investors, Valor Capital, Endeavor Catalyst e SoftBank – esse foi o primeiro cheque do megagrupo japonês em uma startup do Chile, além de ser a primeira aposta do seu fundo voltado para América Latina em uma “insurtech” (de insurance tech, startup de seguros).

Fundada em 2018, a Betterfly recebeu a nova rodada apenas seis meses depois de um aporte de US$ 18 milhões liderado pela QED Investors. O objetivo dos investimentos é dar musculatura para que a empresa se expanda pela América Latina e o primeiro ponto de parada escolhido foi o Brasil. “O Brasil é um mercado gigante, onde poucas pessoas têm acesso à proteção financeira. Podemos gerar transformação”, explica ao Estadão Leonardo Lima, responsável pela operação brasileira da companhia.

Apesar ainda da baixa adesão, os seguros de vida vêm passando por crescimento no País, impulsionado em parte pela entrada de startups do setor. Segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), as contratações individuais do produto cresceram 26,2% em 2020, quando comparadas com 2019. É um mercado que começa a chamar a atenção de grandes fintechs como Creditas e Nubank, que na semana passada recebeu um aporte de US$ 750 milhões.

Não é algo que assusta Lima: “Existe espaço para todos. Acredito, inclusive, que há uma complementariedade entre o que fazemos e o que as fintechs podem fazer. O QED Investors é investidor do Nubank”. O DST Global também investe no banco digital.

O otimismo de Lima se justifica. Apesar de se apresentar como uma startup de seguros, o serviço da Betterfly lembra uma plataforma de bem-estar: é como se ela fosse um híbrido de “insurtech” com “healthtech”. A plataforma dá acesso a um seguro de vida, cujo valor de cobertura cresce conforme o usuário acumula pontos. A pontuação é gerada pelo nível de adoção de práticas saudáveis, como a realização de exercícios físicos e horas regulares de sono. Ou seja, teoricamente, pessoas “mais saudáveis” (ou seus familiares) recebem valores maiores do que de usuários com um estilo de vida mais desregrado. A apólice começa igual para todos e não há checagem sobre condições pré-existentes.

A plataforma também dá acesso a serviços de telemedicina, suporte à saúde mental, fitness virtual, meditação e mindfulness, exames médicos,

nutricionista online, educação financeira e de bem-estar. Todas essas práticas geram pontos. Além disso, a plataforma da Betterfly se conecta com apps populares de saúde, como o Saúde, da Apple, o Strava e o Samsung Health, para transferir informações, que são convertidas em pontos. Além de engordar o seguro, os pontos conquistados na plataforma também podem ser trocados por doações e ações sociais junto a ONGs parceiras da plataforma.

Embrião

Ainda indisponível no Brasil, o serviço da Betterfly só poderá ser oferecido por meio de contratos corporativos – empresas interessadas poderão contratar a Betterfly e oferecer o benefício a seus funcionários. No Chile, a assinatura custa a partir de US$ 4 por mês. Lima diz que o preço para o mercado brasileiro ainda está sendo definido. O objetivo é estrear no mercado no último trimestre deste ano.

Parte da dificuldade para cravar o preço existe porque a Betterfly ainda negocia com parceiros locais os benefícios oferecidos na versão brasileira, incluindo quais serão as seguradoras envolvidas no projeto. Esse é mais um ponto no qual a startup é uma criatura híbrida dentro do setor de seguros: ela não negocia as apólices, que são vendidas por empresas parceiras. As conversas já acontecem há cerca de dois meses.

Por enquanto, além das parcerias, a Betterfly tenta levantar uma equipe local. No Chile, ela atualmente tem 120 funcionários – em dezembro, eram 70. Lima conta que a ideia é manter um ritmo parecido por aqui, incluindo a contratação de pessoas para os times de tecnologia. Cerca de 60% da equipe está ligada ao desenvolvimento de tecnologia, e a grande maioria fica no Chile. É um esquema que lembra a chegada ao País de outras startups chilenas, como o Cornershop e a NotCo, que mantiveram o time de desenvolvimento no país de origem.

Com tudo isso, o executivo se mantém animado com a operação brasileira. “Temos uma proposta de valor alto. Queremos que as pessoas estejam em suas melhores versões. O Brasil é o primeiro passo da nossa expansão internacional”.

Autor: Bruno Romani
Referência: Estadão on-line