Modelo pode crescer e agregar outros produtos bancários
30 de junho 2021 Paulo Araripe Jr.
O open banking pode virar open finance (finanças abertas), integrando todos os produtos financeiros, como seguros, pagamentos, investimentos e câmbio.
Em outubro do ano passado, o Banco Central criou a figura do iniciador de transação de pagamentos. São empresas autorizadas a intermediar o repasse de recursos entre contas de bancos diferentes. Em maio, o BC deu aval para o serviço de transferência de dinheiro do WhatsApp, que se enquadra na categoria. Outros devem surgir.
“Os iniciadores de pagamentos terão um papel muito importante, vão ligar a empresa que quer dar crédito às contas bancárias dos usuários que aceitam compartilhar seus dados para obter melhores taxas. Isso é um mercado novo, criado pelo open finance, que abre oportunidade a novos negócios e serviços”, declara Rafael Stark, presidente da finteeh Stark Bank.
O sucesso do Pix, sistema de pagamento instantâneo lançado em 2020, mostra que o brasileiro está aberto a inovação, mas profissionais do setor não creem que o open banking tenha adesão tão rápida.
Diferentemente do Pix, realizado dentro do aplicativo do banco ou da finteeh que o cliente já usa e em que confia, o open banking requer mais cuidado porque o consumidor vai compartilhar os dados bancários com instituições pouco conhecidas, o que gera mais desconfiança e requer maior adaptação.
Neste aspecto reside o perigo e está o grande desafio da implantação do sistema financeiro aberto. “A tecnologia é o maior instrumento de democratização, mas é necessário fazer com que a população entenda o modelo”, declara o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bancos, Cláudio Guimarães Junior.
O desconhecimento, na verdade, extrapola a população, afirma José Luiz Rodrigues. “Inclusive no meio técnico poucagente sabe oqueéopen banking. É necessário que as instituições invistam na educação financeira.”
Referência: Folha de São Paulo