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Pipo, a startup dos planos de saúde, capta R$ 100 milhões

28 de julho 2021

A rodada série A da healthtech brasileira foi liderada pela Thrive Capital, gestora americana com investimentos de sucesso no mercado de saúde

Bons resultados, um setor promissor e os parceiros certos: para a healthtech Pipo Saúde, que inova na gestão de planos de saúde, essa foi a receita de sucesso para finalizar sua nova rodada de captação série A, na qual levantou R$ 100 milhões (US$ 20 milhões).

Em entrevista ao EXAME IN, a cofundadora e presidente Manoela Mitchell conta que a empresa não estava em busca de um aporte quando foi apresentada pelo seu investidor-anjo David Vélez (fundador do Nubank) ao fundo americano Thrive Capital, conhecido por ter alavancado o sucesso de startups de saúde nos Estados Unidos, como os unicórnios Oscar Health e Cedar. Impressionado com o crescimento de oito vezes da Pipo em um ano, o fundo quis investir na empresa e acabou liderando a rodada — antes da Pipo, a Thrive investiu no Nubank, na Loft e na Pitzi no Brasil.

 “A Pipo está usando dados para entregar valor em cada etapa da jornada do cliente, desde informar as decisões de compra do empregador e automatizar o gerenciamento de benefícios até ajudar os funcionários a navegar pelo sistema de saúde. O resultado é uma economia de 20%, fluxos de trabalho até 50 vezes mais rápidos e uma taxa de satisfação do cliente de 97%, algo sem precedentes na indústria”, afirma Kareem Zaki, sócio diretor da Thrive.

Além do fundo americano, entraram na série A os investidores-anjo Hans Tung (sócio gestor da GGV Capital), Florian Otto (presidente da Cedar, unicórnio de saúde americano) e Henrique Loyola (presidente da Avec). David Vélez e os fundos Monashees, Kaszek e OneVC, que investiram R$ 20 milhões na empresa em junho do ano passado, também participaram da rodada.

Fundada em 2019 pelos economistas Manoela Mitchell e Vinicius Corrêa e pelo desenvolvedor Thiago Torres, a Pipo Saúde nasceu com a ambição de revolucionar a gestão de planos de saúde do Brasil. O negócio tem a proposta de substituir as corretoras de saúde tradicionais para as empresas de médio porte, que empregam entre 100 e 2.500 pessoas.

 “A nossa missão é garantir acesso ao menor custo possível para quem está pagando a conta. Não cobramos das empresas, mas recebemos uma corretagem mensal recorrente das operadoras”, diz Mitchell. Hoje, são 100 empresas clientes, entre elas Alura, MadeiraMadeira e Buser.

A Pipo consegue reduzir os custos fixos de cada empresa cliente com o plano de saúde ao personalizar cada cobertura para as necessidades dos funcionários. Segundo Mitchell, o processo de venda é bastante consultivo para que a startup tenha o maior número possível de informações para negociar melhores preços com as operadoras. Um funcionário de São Paulo, por exemplo, que nunca usou a assistência fora do estado poderia ter o plano trocado para uma cobertura regional.

Mas a Pipo não fica restrita ao momento de contratação da apólice: a empresa oferece uma plataforma para o RH poder gerir sozinho os detalhes de cada plano e disponibiliza também um aplicativo para o beneficiário poder ter uma assistência de saúde personalizada, que o ajuda a tomar decisões de saúde.

 “As pessoas anseiam por usar o plano de forma não trivial: 30% das 15.000 vidas que a Pipo tem sob gestão estão engajadas com nosso concierge de saúde. Tentamos ser essa figura neutra entre o plano e os prestadores de serviço”, diz a cofundadora.

Não é à toa que a empresa pretende usar a captação oportunística como um combustível extra para ir além na jornada do usuário final. Segundo a presidente, pelos próximos 12 a 24 meses, a empresa estará focada em transformar o aplicativo do cliente final em um local de fácil acesso a todas as suas informações de saúde. “Queremos estar presentes no plano, no exame, na saúde mental. Não necessariamente oferecendo produtos, mas fazendo a gestão e aglutinando dados. A nossa ambição é que a Pipo seja vista como um canal de saúde”, afirma Mitchell.

Na prática, isso significa que a startup deve dobrar o tamanho da equipe, hoje com 100 pessoas, até o final do ano. Os setores de tecnologia, produto e dados serão os que mais terão vagas abertas para dar conta do desenvolvimento da solução de “concierge de saúde”.

Para o investidor Kareem Zaki, o maior desafio da Pipo no curto prazo será alinhar todos os atores do universo de saúde em torno de um mesmo interesse. “Estamos otimistas de que a capacidade da Pipo de reunir várias partes interessadas, unificar dados fragmentados e transformar a jornada do paciente de analógico para digital deve começar a quebrar muitas das barreiras na área de saúde.”

Autor: Carolina Ingizza
Referência: Exame.com