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Ações de bancos e seguradoras ganham com juro maior

02 de agosto 2021

Aumento da taxa básica da economia impacta diretamente as receitas das instituições financeiras, ressaltam especialistas

A alta da taxa básica de juros, a Selic, acirra a concorrência entre a renda fixa e as ações e aumenta o custo do crédito para as companhias. Assim, as empresas que dependem mais de financiamento, como as construtoras, tendem a ser prejudicadas. A Bolsa, no entanto, continua como uma aposta forte para quem aceita riscos em uma parcela da carteira em busca de retorno maior, e há especialmente um grupo de papéis que se beneficia com o aumento da Selic: o do setor financeiro.

Este inclui bancos, seguradoras, empresas de cartões de crédito e de meios de pagamento. A aceleração das ações já começou e deve continuar, dizem gestores. Isso acontece porque a subida da Selic impacta diretamente as receitas com juros cobrados dos clientes e, assim, a lucratividade das empresas.

As instituições financeiras devem mostrar um salto nos lucros do segundo trimestre, com a subida da Selic, a recuperação da economia e o crescimento das carteiras de crédito. Aquiles Mosca, responsável pela área comercial da gestora de fundos do banco BNP Paribas, diz que já vê papéis de bancos com bom desempenho e que a Selic deve se refletir na safra de balanços.

EXTERIOR TAMBÉM É OPÇÃO

O setor financeiro também integra o grupo de companhias da Bolsa que Rudolf Gschliffner, superintendente de produtos da gestora do banco Santander, chama de “empresas de valor”. São companhias mais tradicionais, como bancos, Petrobras e Vale, ligadas ao setor de commodities.

Ele explica que, em 2020, a grande aposta do mercado eram as “empresas de crescimento”, relacionadas ao comércio eletrônico e à tecnologia, por exemplo. A vida das pessoas virou de cabeça para baixo com o distanciamento social imposto pela pandemia, e essas companhias aproveitaram para vender seus produtos e serviços.

Porém, agora, Gschliffner diz ter menos convicção sobre qual perfil de empresa crescerá mais. Na dúvida, ele sugere mesclar companhias tradicionais e inovadoras nos investimentos:

– A tese do ano passado era a das ações ligadas à aceleração da tecnologia. Este ano, vimos uma rotação setorial que privilegiou os papéis de valor – afirma. – Daqui para frente, a carteira mais balanceada entre as duas possibilidades é a melhor.

Gschliffner destaca que, para quem tem perfil para isso, a Bolsa ainda faz bastante sentido. Ele acha que a alta da Selic já está no preço das ações e que estas ainda estão com desconto em comparação aos papéis dos Estados Unidos. Como boa parte do mercado, Gschliffner acha que as companhias ainda vão crescer com o avanço da vacinação e a reabertura da economia.

Os gestores também ressaltam que, para quem topa riscos nas aplicações financeiras, ainda vale a pena ter uma parte pequena da carteira investida no exterior.

– O exterior continua interessante. Várias outras economias do mundo estão se recuperando mais rapidamente que nós, como Estados Unidos, Europa, China. E uma forma de buscar dinamismo econômico como alternativa para rentabilizar aplicações – afirma Mosca.

Ele indica investir por meio de fundos, diversificando países e setores que não existem no Brasil.

Autor: Júlia Lewgoy
Referência: O Globo