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Com avanço da vacinação, UTIS esvaziam na cidade de SP

02 de agosto 2021

Na capital paulista, 80% dos adultos tomaram ao menos a primeira dose; ocupação de UTIS cai para 44%

Com cerca de 80% da população tendo recebido pelo menos a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus, a taxa de ocupação das UTIS da cidade de SP é de 44,1% (528 pacientes). No auge da segunda onda da pandemia, esse índice ultrapassou 93%. Ontem, a capital paulista alcançou a marca de 10 milhões de doses de vacina aplicadas. Receberam a primeira dose 7,2 milhões de pessoas. Completaram a imunização com duas doses ou dose única, 2,8 milhões de pessoas, ou 30,5% da população adulta. O cenário também tem sido notado em cidades do entorno da capital. A média móvel de novas internações na Grande São Paulo, segundo dados do governo estadual, foi de 480 na quinta-feira. Há um mês, em 29 de junho, eram 876. E, em 29 de maio, 1.215. O Brasil ultrapassou ontem a marca de 100 milhões de pessoas vacinadas ao menos com a primeira dose.

A cidade de São Paulo chegou ontem a 10 milhões de doses da vacina contra a covid-19 aplicadas na população – cerca de 82% da população adulta já recebeu ao menos a 1ª dose. O avanço da imunização tem se refletido na queda dos indicadores de internação na capital paulista. A taxa atual de ocupação de leitos de UTI destinados a tratamento de pacientes com a doença está em 44,1%. Há um mês, a taxa era de 60%; há dois meses, estava em 74%.

Especialistas atribuem a melhora ao avanço da vacinação, mas alertam para o risco do espalhamento da Delta, variante identificada originalmente na Índia e mais transmissível. Nas próximas semanas, o Estado terá flexibilização das restrições ao comércio, com aumento da ocupação máxima permitida e do horário de funcionamento.

Na capital paulista, a quantidade absoluta de pessoas internadas em unidades intensivas é de 528 pacientes. No fim de maio, a quantidade era superior a mil. “No auge da segunda onda – em março, abril –, tínhamos mais de 93% de ocupação de leitos de UTI”, relembra ao Estadão o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido.

A cidade passa agora, segundo ele, por uma maior estabilidade em relação há alguns meses e de redução da pressão no sistema de saúde. “Mas não podemos bobear, a pandemia continua, as medidas sanitárias precisam acontecer”, diz.

São Paulo conta, segundo o último boletim diário da Secretaria Municipal da Saúde, com 2.513 leitos covid em operação: 1.197 UTIS e 1.316 leitos de enfermaria. O número de leitos é remanejado conforme as necessidades da rede de atendimento e os índices de ocupação. O número de UTIS era de 1.371 no fim de maio, por exemplo.

A vacinação em São Paulo teve crescimento expressivo sobretudo nos últimos 30 dias. No dia 29 de junho, a cidade tinha 56,8% da população adulta vacinada com ao menos uma dose. Em um mês, 25% dos adultos foram imunizados, totalizando agora 81,8% com ao menos a primeira dose. Já aquelas com imunização completa equivalem 30,5% da população adulta.

Para o secretário, três fatores ajudam a explicar o avanço em São Paulo: uma maior regularidade na chegada dos lotes de vacina, o fato de as faixas de idade de 30 e 40 anos (vacinadas nas últimas semanas) serem mais numerosas e, por fim, a adesão da vacinação na cidade.

“A gente abre para 29 anos, por exemplo, e em dois dias a gente vacina todo mundo com essa idade. Quando faz o somatório dos dias destinados a essa faixa etária, dá mais 90% do esperado”, diz Aparecido. “É uma adesão maciça, instantânea.”

Para algumas faixas etárias, inclusive, a taxa de adesão da cidade supera 100%, uma vez que, segundo Aparecido, a capital acaba vacinando pessoas de cidades vizinhas. No mês passado, porém, a cidade chegou a registrar desabastecimento em parte dos postos.

Delta. O diretor da Fiocruz São Paulo e professor de Medicina da Universidade de São Carlos (UFSCAR) Rodrigo Stabeli reforça que a queda nas taxas de ocupação de leitos de UTI e de número de óbitos por conta da vacinação já têm sido observados inclusive em nível nacional, o que mostra a efetividade dos imunizantes. “A vacina é a metodologia efetiva para se fazer a mitigação dos casos graves e do número de óbitos”, diz.

Ele reforça que não há mais prevalência de internações pela covid-19 entre os idosos justamente pelo avanço da vacinação e que, mesmo nas faixas entre 30 e 60 anos, o cenário começa a melhorar. Mas alerta, por outro lado, que é necessário ter cuidado com a variante Delta e seguir medidas de segurança, já que os números melhoraram, mas ainda seguem altos.

“Mesmo tendo vacinação de primeira dose em São Paulo numa cobertura de 80% na população adulta, a gente sabe que a cobertura vacinal completa é com duas doses”, relembra. “Então, é importante que ainda se faça as medidas sanitárias que já se tornaram um mantra na nossa vida.”

Estudos já indicaram que só a 1ª dose de um imunizante pode não ser suficiente para barrar a infecção pela Delta – duas injeções têm eficácia contra a nova cepa nos casos das vacinas da Astrazeneca e da Pfizer, segundo estudos cujos resultados já foram publicados. Ainda são realizados testes para saber o grau de proteção da Coronavac contra a Delta.

Para a epidemiologista da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Ethel Maciel, ainda há um porcentual muito pequeno de pessoas com 2ª dose. “A gente não pode achar que a guerra está vencida, porque a gente ainda está no meio dela.”

Autor: Ítalo Lo Re
Referência: Estado de São Paulo