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É preciso tomar medidas para evitar acidentes e mortes de motociclistas

16 de agosto 2021

Mesmo com movimento menor nas ruas em razão da pandemia, os números pioraram no ano passado

A s ruas do Rio e de São Paulo têm sido palco de uma carnificina. Em vários períodos do ano passado, houve queda acentuada do trânsito de automóveis devido ao isolamento social e ao fechamento das escolas. Ao contrário do que se poderia esperar, porém, o número de acidentes envolvendo motociclistas em 2020 aumentou nas duas cidades.

No Rio, foram 27.681 acidentes, à triste média de três por hora, incluindo sábados, domingos, feriados e madrugadas. O número representa uma alta de 26% na comparação com 2019, de acordo com o Anuário do Corpo de Bombeiros.

Em São Paulo, 345 motociclistas perderam a vida no ano passado, 48 a mais que no ano anterior, revelou a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), da prefeitura municipal paulistana. Na maioria, jovens. A faixa etária mais atingida está entre 18 e 24 anos. Números do Detran de São Paulo mostram que, de janeiro a junho deste ano, já morreram mais motociclistas na capital paulista que no mesmo período de 2020 – 148 ante 146.

Os dados nacionais de indenizações pagas pelo Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT) sugerem que tenham morrido menos motociclistas em 2020 no computo de todos os estados, mas eles formaram uma fatia maior do total de mortes no trânsito.

Como é possível que tantos motociclistas tenham se acidentado e morrido nas duas maiores metrópoles brasileiras, num ano em que o trânsito como um todo diminuiu? Essa é a pergunta que as autoridades municipais e estaduais, além dos executivos de empresas de entrega, deveriam estar se fazendo.

É sabido que, com mais gente em casa, a demanda pelas entregas aumentou. Sentindo-se donos das ruas, parte dos motociclistas abusa das infrações de trânsito. Quem circula pelos bairros do Rio e de São Paulo que concentram as entregas é testemunha de que são uma minoria aqueles que respeitam o sinal vermelho, o limite de velocidade e fazem ultrapassagens apenas pela esquerda, como manda a lei.

A alta nos acidentes é consequência do aumento do número de motos nas ruas e também fruto da falta de formação dos motociclistas, afirmou ao GLOBO Eva Vider, engenheira de transportes da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É verdade que vários aplicativos de entrega mantêm cursos e treinamento para quem os usa. Mas isso claramente não tem sido suficiente. Melhor fariam essas empresas se usassem a tecnologia para controlar a velocidade dos motociclistas enquanto estão fazendo entregas e punir os infratores.

Também é necessária maior fiscalização por parte das autoridades para coibir excessos, segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Quanto antes as ruas deixarem de ser uma selva sem lei, mais mortes serão evitadas.

Referência: O Globo