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Investigada, Prevent passa a ser monitorada pela ANS

15 de outubro 2021

Agência nomeia diretora para acompanhar por até um ano os trabalhos da operadora, alvo da CPI da Covid

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) nomeou a diretora técnica Daniela Kinoshita Ota para acompanhar os trabalhos da Prevent Senior, alvo da CPI da Covid e do Ministério Público de São Paulo. A operadora é investigada por suspeita de ter usado pacientes como cobaias para testar o “tratamento precoce” a que não tem eficácia comprovada contra a covid19, sem o consentimento de familiares. Também teria adulterado prontuários médicos e atestados de óbito. A direção da empresa nega as acusações.

De acordo com a medida, publicada no Diário Oficial de ontem, a diretora técnica acompanhará os procedimentos da empresa “in loco” para identificar ações que coloquem em risco a continuidade e a qualidade do serviço prestado aos usuários da operadora. A Prevent informou que a decisão da ANS é “positiva” para o esclarecimento dos fatos. “As análises técnicas e a inspeção da agência restabelecerão a verdade dos fatos. A Prevent vai colaborar com total transparência com o regime de direção técnica e com os demais órgãos fiscalizadores.”

Em nota, a ANS disse que não se trata de uma intervenção, e que a empresa continuará funcionando normalmente. A agência informou ainda que a decisão foi tomada em reunião da diretoria colegiada e reiterou que só tomou conhecimento das denúncias contra a Prevent Senior por meio da CPI que investiga supostas irregularidades durante a pandemia.

A partir desse diagnóstico, a operadora vai elaborar um Programa de Saneamento Assistencial (PSA). O documento definirá ações, responsáveis e prazos para as atividades. O regime de direção técnica tem duração máxima de 365 dias. Será concluído com a apresentação de um relatório feito pela diretora técnica. O documento será encaminhado à ANS, que decidirá quais medidas serão adotadas.

Segundo a ANS, esta é a sexta vez que Daniela Ota atua como diretora técnica em um plano de saúde. Ela é formada em fisioterapia e gestão de saúde e tem MBA em saúde.

São Paulo. A CPI da Prevent Senior na Câmara Municipal de São Paulo aprovou ontem um requerimento para pedir esclarecimentos à Secretaria Estadual de Saúde sobre a decisão de não intervir em hospitais da operadora em São Paulo. Os vereadores querem saber quais foram as providências tomadas pela pasta após a Vigilância Sanitária da Prefeitura sugerir a intervenção em três hospitais.

A fiscalização identificou a falta de espaçamento entre os leitos de pacientes com casos suspeitos e confirmados de covid-19 e a falta de testagem, em março do ano passado. Além disso, apontou a ausência de testes em profissionais afastados por suspeita de contaminação. À época, o Estado não enviou uma resposta à Prefeitura.

Em nota, a Secretaria de Saúde diz que há um “equívoco” em relação ao termo “intervenção”. “Trata-se de serviço privado e, portanto, regulado pela ANS.”

Autor: Roberta Jansen
Referência: Estado de São Paulo