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Aporte de R$ 1 bi fortalece Medicina da Anima

01 de dezembro 2021

DNA Capital, gestora de fundos voltada para saúde e sócia de companhias como a Dasa, vai investir na Inspirali, subsidiária de cursos médicos do grupo de educação, cujas ações subiram 27% na Bolsa ontem

A Ânima Educação, um dos principais grupos de ensino superior privado no país, fechou um acordo com a DNA Capital, gestora de fundos com foco em saúde e que tem a família Bueno – fundadora da Amil – como maior acionista. O negócio prevê aporte de R$ 1 bilhão pela DNA na Inspirali, subsidiária de educação médica da Ânima, levando 25% do capital dessa vertical. A operação reafirma a Medicina como um dos cursos que mais puxam investimentos no setor.

Após a divulgação do negócio, na segunda-feira, as ações ordinárias da Ânima saltaram ontem, encerrando o dia com alta de 27,21%, a R$ 8,60.

O eixo central é criar sinergias entre as duas. A DNA é a maior investidora na área de saúde da América Latina, com participação em grandes empresas como Dasa – dona de redes de laboratórios e hospitais – e Viveo, distribuidora de produtos e serviços de saúde. Na outra ponta, a Ânima tem perto de dez mil alunos em 14 cursos de Medicina no país.

– O ponto principal (do acordo) é ampliar a experiência do aluno e dos professores em healthcare. Permite à indústria poder selecionar e contratar profissionais na fonte. É uma troca que vemos com bons olhos, que aumenta a empregabilidade, a experiência e a jornada profissional da nossa rede – diz Guilherme Soárez, CEO da Inspirali.

Luiz Felipe Costa, sócio da DNA Capital, diz que todas essas potenciais sinergias “precisam ser exploradas uma a uma com cada uma das empresas do ecossistema da DNA e aprovadas dentro das respectivas governanças”:

– Só vamos explorar oportunidades que gerem ganhos para todos os envolvidos.

MEDICINA É ‘MOTOR’

O acordo traz ainda reforço financeiro. De um lado, dá mais fôlego para a Inspirali seguir fazendo aquisições e investindo em tecnologia. De outro, reduz o endividamento da companhia, puxado sobretudo pela aquisição da operação da americana Laureate no Brasil, em 2020, após acirrada disputa com a Ser Educacional.

No balanço do terceiro trimestre, a dívida líquida ajustada da Ânima foi de R$ 4,667 bilhões, ante R$ 762,1 milhões em igual período de 2020.

Medicina está no seleto grupo de cursos superiores considerados premium, atraindo investimentos crescentes de grandes grupos do setor no país, como a Afya, a maior em ensino médico no país, seguida da Ânima, e a Yduqs.

– Os cursos de Medicina são o grande motor de crescimento do setor de educação, no lado premium. Têm como diferencial alta qualidade em presencial, tíquete médio até dez vezes mais alto que o dos demais presenciais, alta retenção dos alunos, num segmento de muita demanda por profissionais – explica Leo Monteiro, analista de Research da Ativa Investimentos.

Ele avalia que, no pós-pandemia, a tendência é que a consolidação siga aquecida na educação superior privada, porque os grandes grupos conseguiram manter suas dívidas sob controle e têm caixa para aquisições, enquanto os menores estão mais fragilizados.

– A operação de DNA e Ânima tem um potencial de geração de valor muito grande, pelo potencial de expansão com sinergias relevantes. A Rede D’Or, por exemplo, criou o I Dor (braço de pesquisa e ensino do grupo, que já conta com uma faculdade), que se torna um catalizador de receita.

A avaliação é compartilhada pelos analistas Rafael Barros e Larissa Pérez em relatório da XP. Eles classificam o negócio como muito positivo, já que ajuda a impulsionar crescimento e lucratividade da Ânima. “A Inspirali se tomará empresa independente para que a transação prossiga e, ao fazer isso, pode destravar valor ao separar os dois negócios-educação não-médica e educação médica”, escreveram.

Na Ânima, o valor médio da mensalidade do curso de Medicina beira os R$ 9 mil. A base de alunos saltou de 829, em 2018, para 9.861, no fim de setembro passado. A estimativa é que, com o crescimento orgânico, esse número ultrapasse 15 mil alunos dentro de seis a oito anos, diz o CEO da Inspirali. Ao todo, a companhia soma 320 mil estudantes.

‘REPRECIFICAÇÃO’

Os cálculos da DNA também chamaram a atenção.

– A transação está “reprecificando” o mercado de educação (na Bolsa), que vem desvalorizado diante da pandemia, além dos problemas macro que persistem, com desemprego e inflação. E que a DNA avalia que a Inspirali vale R$ 5 bilhões, enquanto a Ânima está avaliada pelo mercado em menos de R$ 3 bilhões – destaca Monteiro, da Ativa.

De janeiro a setembro, a Inspirali representou 27% do resultado operacional da Anima. O braço voltado para educação médica terá um time de executivos dedicado e um conselho de administração próprio, com quatro indicados pela Ânima, três independentes e dois pela DNA.

A operação depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Autor: Glauce Cavalcanti e Vitor da Costa
Referência: O Globo