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Pandemia acelera negócios que unem tecnologia e saúde, e ‘healthechs’ atraem investimentos

27 de dezembro 2021

Até novembro, as start-ups brasileiras deste segmento já tinham recebido aporte R$ 1,75 bilhão, mais que o dobro do registrado em 2020

Depois de fazer residência em cirurgia vascular, em Nova York, o médico português Rui Brandão decidiu abandonar a carreira em 2016. A decisão radical tinha um motivo: ele queria voltar ao Brasil, onde já havia morado, para se tornar empreendedor.

Hoje, cinco anos depois, é sócio da Zenklub, uma plataforma especializada em saúde mental e cuidados emocionais e corporativos. Já atende mais de 300 empresas e recebeu duas rodadas de investimentos.

— Muita gente dizia que era loucura apostar em saúde emocional. Mas minha mãe passou por um episódio de burnout e vi que não havia um sistema de saúde emocional que pudesse ajudar a enfrentar o problema — conta Brandão.

Recorde de busca por ansiedade

Com a pandemia, as buscas pelo tema saúde mental cresceram 98% no Google, no ano passado, em relação à média dos últimos dez anos. A pergunta “como lidar com a ansiedade?” bateu recorde de procura na década.

A Zenklub teve crescimento de 272% em número de clientes, entre eles gigantes como Ambev, Cyrela, Qualicorp, Natura e Loggi. Como os atendimentos são virtuais, via chat, áudio ou vídeo, a Zenklub atende 1.250 cidades do país e mira o exterior.

A mensalidade de R$ 14,90 dá acesso a conteúdos como meditação, sugestões para fazer trilhas e desconto nas consultas com os especialistas.

A Zenklub recebeu este ano nova rodada de investimentos de R$ 45 milhões da K Tarpon, GK Ventures e Indico Capital Partners, que vai ajudar a empresa a crescer, tendo inclusive nos planos o atendimento presencial. Em 2020, a Índico Capital Partners já tinha injetado R$ 16,5 milhões.

A Zenklub não é exceção entre as healthtechs, start-ups que atuam no segmento de saúde e ajudam a ter acesso a serviços privados. Essas empresas receberam, até novembro, US$ 307 milhões de investimentos (R$ 1,75 bilhão no câmbio atual).

O número é da Distrito, plataforma de inovação que faz levantamento de dados. Trata-se do maior investimento da história dessa categoria, mais que o dobro em relação ao ano passado, quando foram aportados US$ 127 milhões.

— A pandemia despertou esse movimento. O setor de saúde sofreu uma crise muito grande e a tecnologia resolveu várias questões, como poder fazer consultas de telemedicina, com escala de pacientes. E os empreendedores começaram a buscar tecnologia para fazer melhor gestão dos ativos, hospitais, clínicas — diz Gustavo Araújo, CEO da Distrito.

Quase 30% das 990 healthtechs atuam com gestão de prontuários eletrônicos de clínicas e hospitais. Depois, há os negócios de acesso à saúde, voltados a quem não tem plano particular. E a telemedicina, categoria que só passou a existir oficialmente na pandemia, diz Araújo.

Autor: João Sorima Neto
Referência: O Globo