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Melhora ocupação de UTIs por Covid, e só 3 estados e DF têm taxas acima de 80%

16 de fevereiro 2022

Nas últimas duas semanas, eram oito os estados, além do Distrito Federal, com alta lotação

Depois de semanas em situação preocupante, as UTIs (unidades de terapia intensiva) para casos de Covid tiveram melhora na lotação nesta segunda-feira (14). Caiu para três o número de estados —Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rondônia—, além do Distrito Federal, com taxas de ocupação acima de 80% nos leitos para pacientes graves.

Na última semana e na anterior, eram oito os estados, além do DF, com esse patamar de lotação. Minas Gerais, no outro extremo, vive o quadro mais confortável do país neste momento, com 39% de seus leitos em uso para casos críticos de infectados com coronavírus.

ambulâncias com macas e pacientes em frente a hospital

A situação de Mato Grosso do Sul ainda preocupa. O percentual, agora de 89% de ocupação, é quase o mesmo da semana anterior —havia lotação de 90% das UTIs.

O estado registrou 3.760 novos casos em 24 horas nesta terça-feira (15). A média móvel é de 3.167 novas infecções em sete dias. Com 92% dos leitos de UTI ocupados, a capital Campo Grande responde pela maior parte dos novos registros da doença (1.790).

O aumento das mortes por Covid-19 no estado também gera apreensão. Fevereiro nem chegou ao fim, mas já foram registrados mais óbitos do que todo o mês passado. Nas duas primeiras semanas deste mês, foram contabilizadas 167 vidas perdidas em razão da doença, contra 159 durante janeiro.

“Alertamos a população para buscar a vacinação, que é o único remédio contra a Covid-19. Assim como evitar aglomerações e continuar com as medidas de proteção. Temos uma parcela da população que não foi tomar a dose de reforço e existe uma resistência à vacina das crianças”, diz Geraldo Resende, secretário estadual de Saúde.

Atualmente, 74% da população de Mato Grosso do Sul estão com o esquema vacinal completo. No entanto, a vacinação infantil caminha a passos lentos. Embora a campanha de imunização para o público de 5 a 11 anos tenha começado em meados de janeiro, apenas 26% se vacinaram contra a doença nessa faixa etária.

O Distrito Federal está com 85% dos leitos de UTI ocupados. No total, a unidade da federação possui 103 leitos para adultos, sendo que 88 estão em uso e apenas dois estão liberados.

Os outros 13 estão aguardando liberação ou estão bloqueados. Nesse último caso, o leito está sendo preparado para receber novo paciente, passando por desinfecção ou por manutenção em algum equipamento, por exemplo.

A unidade da federação tem 18 leitos de UTI neonatal e pediátrica, sendo que 15 estão ocupados. Quatro leitos foram criados para esse público nesta semana em relação à anterior.

Em Rondônia, estado com a lotação mais alarmante das últimas semanas (acima de 90%), apresentou melhora, ainda que siga em patamar alto.

A ocupação de leitos de UTI está acima de 80% mesmo com abertura de vagas feita pela Secretaria de Estado de Saúde ao longo da semana. Entre os dias 7 e 14 de fevereiro, o total de leitos de UTI para adultos em tratamento contra Covid passou de 65 para 69.

Em Pernambuco, a ocupação de leitos de UTI recuou de 88% para 81% em uma semana.

Já em São Paulo, nesta segunda (14), dos 8.208 internados com suspeita ou confirmação de Covid-19, 3.231 estavam em leitos de UTI. Na mesma data o estado disponibilizava 5.190 leitos na terapia intensiva –a taxa de ocupação, portanto, é de 62%.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, no domingo (13), 27 hospitais estaduais com caráter regional situados no estado registravam ocupação superior ou igual a 90% nos leitos de UTI exclusivos para Covid-19. No dia 7 de fevereiro, eram 33.

Dos 27 hospitais estaduais, estão na lista os institutos de Infectologia Emílio Ribas e Dante Pazzanese de Cardiologia, o Hospital das Clínicas de São Paulo e o de Ribeirão Preto, entre outros.

Ainda de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, São Paulo conta com cerca de 800 leitos pediátricos de enfermaria, com ocupação de 82%, além de 400 leitos de UTI para esse público, em média, com ocupação de 63%.

“Vários indicadores têm apontado que o número de casos de ômicron está em queda. Isso significa que as internações e, muito em breve, os óbitos deverão cair de maneira mais acelerada”, afirma o infectologista Evaldo Stanislau de Araújo, do Hospital das Clínicas da USP.

Para o especialista, algumas questões, porém, merecem atenção, como o grande número de não vacinados com a terceira dose, que ficam mais vulneráveis às formas graves da doença, e a introdução da subvariante BA.2, da ômicron, com potencial para causar infecção ou reinfecção.

Na capital paulista, segundo a Secretaria Municipal da Saúde, a taxa de ocupação de leitos públicos de UTI para Covid-19 na rede municipal alcançou 52% nesta segunda —na ocasião, 297 dos 573 leitos intensivos estavam ocupados.

O secretário-adjunto da Saúde, Luiz Carlos Zamarco, afirma que a secretaria identifica estabilização nos números de internados com Covid, mas, se houver necessidade, mais vagas podem ser disponibilizadas.

Na capital paulista, dos sete hospitais com leitos destinados exclusivamente para o tratamento de pacientes com Covid-19, apenas o Hospital Municipal Ignácio Proença de Gouvêa, na Mooca (zona leste) permanecia com a ocupação total na UTI e o Hospital Municipal Profª Lydia Storopolli, na Liberdade (centro), estava em 80%.

Na Bahia, chamam atenção os altos índices de ocupação das UTI pediátricas. Em todo o estado, a taxa é de 84% das 44 vagas, segundo a Sesab (Secretaria de Saúde da Bahia).

Na capital, Salvador, 83% dos 30 leitos infantis estão preenchidos, aponta a Secretaria Municipal de Saúde.

Em relação aos leitos para adultos, no estado, houve leve recuo no percentual no período de 7 a 14 de fevereiro: a taxa de ocupação caiu de 71% para 70% das 610 vagas existentes.

No mesmo intervalo, em Salvador, o número de leitos para adultos passou de 179 para 195 —a taxa de ocupação caiu de 72% para 69%.

No Rio de Janeiro, a pandemia vem dando sinais de arrefecimento recentemente. O número de internados pela doença na capital fluminense, por exemplo, caiu quase à metade na última semana, de 348 para 167.

Isso fez com que a ocupação das UTIs públicas ficasse em 66% na cidade e em 52% no estado nesta segunda, mesmo com a redução de quase cem vagas.

Referência: Folha de São Paulo