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Guerra ‘ciber’ preocupa indústria de seguros no Brasil e no mundo

07 de março 2022

Conflito na Ucrânia pode causar escalada de ataques virtuais, avaliam especialistas

Como qualquer instituição financeira no mundo atualmente, as seguradoras e resseguradoras estão de olho no desenrolar da guerra na Ucrânia.

As preocupações surgem menos pela exposição direta aos impactos do conflito – nas apólices, em geral, guerra é um dos motivos de exclusão de coberturas – e mais pelas consequências indiretas. Entre os problemas monitorados pelos grupos globais figuram a disrupção de cadeias logísticas, a subida da inflação e, sobretudo, o aumento do risco cibernético.

Especialistas consultados pelo Valor apontam a guerra cibernética como o risco que mais tem tirado o sono da indústria no mundo. “O impacto da escalada do conflito pode aumentar o risco de ataques cibernéticos sistêmicos e causar perdas substanciais tanto econômicas quanto de seguros”, afirma a agência de classificação de risco de seguradoras e resseguradoras AM Best, em relatório. “A percepção de maior risco pode levar a preços mais elevados [de seguros ciber em um mercado ciber já pressionado”, acrescenta o grupo.

Para a sócia do escritório Demarest na área de seguros e resseguros, Márcia Cicarelli Barbosa de Oliveira, entre todos os potenciais impactos do conflito, “a guerra virtual tem preocupado mais a comunidade de seguros no Brasil e no mundo”. Conforme a especialista, há uma expectativa de acirramento de um cenário já hostil em termos de ataques. “O seguro de risco cibernético é relativamente novo e nunca houve uma situação de guerra real.”

O diretor da Gallagher Brasil, filial da consultoria de risco e corretora global AJG, Guilherme Mattoso, compartilha da mesma visão. “É esperado que tenhamos escalada de ataques cibernéticos”, afirma. “O custo [dessas apólices] já estava elevado, algo em torno de 30% a 40% frente a antes da pandemia, mas se houver mais ataques vinculados à guerra pode haver ainda mais elevações”, pondera o executivo.

Segundo o especialista, a motivação política pode levar hackers e cibercriminosos ligados à causa russa a aumentar ataques às empresas ocidentais, tanto em retaliação às sanções quanto devido aos boicotes de várias marcas. “Há esse risco de escalada, de ambos os lados do conflito.”

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Autor: Sérgio Tauhata
Referência: Valor Econômico