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Fundo de Mark Zuckerberg investe na startup de saúde Beep

04 de novembro 2022 Paulo Araripe Jr.

Empresa carioca realiza exames laboratoriais e vacinas em domicílio. 0 CZ1, do dono do Facebook, coliderou o aporte com o Bradesco. Valor não foi revelado

O CZ1, fundo de venture capital de Mark Zuckerberg e sua mulher, Priscilla Chan, fez seu primeiro investimento em uma healthtech no Brasil: na carioca Beep, de vacinas e exames laboratoriais em domicílio. O fundo americano coliderou com o Bradesco um aporte série C na empresa, e a rodada ainda contou com a participação de David Vélez, CEO do Nubank, e dos fundos Valor Capital e DNA Capital.

O valor do aporte não foi divulgado, mas, nestes tempos de vacas magras, em que startups evitam novas rodadas temendo um rebaixamento na avaliação de mercado, Vander Corteze, fundador e CEO da Beep, garante que superou “em muito” os R$ 110 milhões da última rodada, em abril do ano passado.

O interesse do fundador do Facebook e sua mulher pelo setor de saúde não é fortuito: Priscilla é médica de formação, especializada em pediatria. A CZ1 ficou oito meses fazendo diligências na Beep, inclusive acompanhando as entregas.

A Beep iniciou sua operação no fim de 2017 com a aplicação de vacinas – serviço privado que não está incluído nos planos de saúde – e aos poucos foi agregando exames laboratoriais.

Desde o último aporte, a empresa passou a investir no credenciamento dos planos de saúde para atender à demanda de exames. Hoje são 40 operadores credenciados, incluindo Bradesco Saúde, Amil e SulAmérica, em um total de mais de cinco milhões de vidas.

A meta é chegar a dez milhões de beneficiários potenciais até a próxima rodada de investimentos. Um dos grandes desafios é ativar a base dos operadores credenciados, para que escolham a Beep na hora de agendar um exame.

EM MAIS DE 150 CIDADES

Desde a sua criação, a Beep realizou mais de um milhão de atendimentos em domicílio. A empresa está presente em seis estados e mais de 150 cidades. A partir de agora, a Beep pretende concentrar o crescimento no aumento da base de clientes nos grandes centros, antes de ampliar o número de cidades.

– Antes, a gente só pensava em crescer, crescer e crescer. Agora é crescer de forma saudável, com melhores margens – diz Corteze, que prevê alcançar o break even, ou o lucro da operação, no primeiro semestre de 2023.

A Beep deve dobrar o faturamento este ano, alcançando R$ 200 milhões. Para o ano que vem, a previsão é R$ 250 milhões.

O plano de médio e longo prazo é transformar o app da Beep em um superaplicativo de saúde, agregando novos serviços, como infusões de medicamentos parenterais, exames de vista e entrega de remédios, entre outros.

Autor: Mariana Barbosa
Referência: O Globo